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O Marido Malvado(novel) - Capítulo 174

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Ela queria coletar material de outras fontes que não fossem os mitos, mas não fazia ideia de onde começar ou como pesquisar. No final, ainda com a mente confusa, Eileen foi trabalhar como “Ilen”.

Ela mexeu distraidamente na peruca de cabelo curto e olhou para cima através dos óculos. Assim como sua pesquisa teimosamente improdutiva, seu trabalho como Ilen também era complicado, por causa do cliente do camarote.

Mesmo enquanto trabalhava, sentia uma estranha coceira no topo da cabeça, como se o olhar de alguém estivesse constantemente roçando ali.

Como sempre, apenas um camarote estava ocupado. Por mais que ela esticasse o pescoço dali, não conseguia ver o convidado com clareza. Um pensamento estranho cruzou sua mente.

‘Será que ele está me observando?’

Mas isso era absurdo. Logicamente falando, com tantas dançarinas magníficamente adornadas por toda parte, por que um convidado tão rico desperdiçaria interesse em uma simples ajudante?

‘Ele deve ter ficado entediado naquele momento.’

A explicação mais razoável era que ele a ajudara por capricho e a provocara um pouco, nada mais. Provavelmente, não haveria mais envolvimento.

Então, essa sensação de estar sendo observada era provavelmente sua imaginação. Ela ajeitou a peruca.

Se o convidado do camarote estivesse observando os bastidores, teria visto ela se movimentando com roupas masculinas. E, como era a única ali que usava óculos, ele a reconheceria facilmente.

Se ele tivesse sido um pouco mais observador, poderia até ter notado que “Ilen” fingia ser mudo enquanto estava na taverna.

Ainda assim, não parecia o tipo de homem que sairia contando os segredos de uma ajudante. Mais provavelmente, não se importaria nem um pouco com essas coisas.

Seus olhares para cima foram subitamente bloqueados por uma dançarina que se colocou à sua frente, com metade do peito exposto enquanto se inclinava.

— Ilen! Você pode abotoar isso pra mim?

As unhas longas dificultavam fechar o botão. Eileen ajudou rapidamente, mas logo outra dançarina apareceu pedindo ajuda para puxar as meias até a coxa.

Elas estavam claramente provocando, mas Eileen, achando que realmente precisavam de ajuda, auxiliou com sinceridade, sem perceber que sua inocência só incentivava a travessura delas.

Enquanto corria de um lado para o outro, as dançarinas retocavam a maquiagem e conversavam. O assunto era um homem que uma delas estava tentando conquistar. Quando o alvo parecia indiferente, a dançarina fez beicinho e arregalou os olhos.

— Será que eu devo ir rezar no templo?

Achando a ideia ótima, ela se animou, só para murchar novamente.

— Ah, é mesmo. O templo desabou…

Normalmente, os cidadãos não entravam no Grande Panteão, mas ofereciam flores e orações à estátua do leão alado do lado de fora. Porém, após o desabamento e com a reconstrução em andamento, a estátua também estava fechada. Não havia mais um lugar adequado para rezar.

—Algumas pessoas estão montando altares em casa — sugeriu outra dançarina.

— Hmm, mas sinto que isso não funcionaria.

— Então faça uma oferenda.

— Nem pensar, isso dá medo.

Enrolando o cabelo cacheado no dedo, a dançarina acrescentou:

— Ouvi dizer que oferendas servem apenas para chamar o deus. Para realmente ter o desejo realizado, você precisa oferecer algo muito maior em troca.

Perto dali, as mãos de Eileen desaceleraram enquanto arrumava um acessório de sombrinha em renda usado como adereço. Ela fingiu ajustar um que já estava perfeitamente posicionado, atenta para ouvir o resto.

— Nos mitos, qualquer humano que pede algo aos deuses sempre acaba infeliz.

—E o imperador fundador?

— Bem, ele é diferente de pessoas comuns como nós.

Repreendida por sequer perguntar, Eileen mergulhou em pensamentos, suas mãos parando completamente enquanto refletia.

— Ilen.

Uma voz repentina e urgente veio acompanhada de um aperto em seu pulso. Ela saiu de seus pensamentos e viu Alessia.

Depois de dias ausente, vê-la encheu Eileen de alívio, mas o rosto de Alessia estava rígido como pedra. Sem dizer uma palavra, puxou Eileen para longe.

Era pouco antes do início de uma apresentação, o horário mais movimentado do dia. As dançarinas riram, meio de brincadeira, meio a sério, dizendo a Alessia para não monopolizar Ilen.

Alessia as ignorou completamente, andando rápido e verificando as portas dos cômodos de ambos os lados, até finalmente levar Eileen para o seu quarto.

— Tem algo errado. — Antes que Eileen pudesse perguntar, as palavras saíram como tiros: — Está quieto demais. A essa altura eu esperava soldados vasculhando o lugar, mas não houve nenhuma ação. Mesmo que estivessem tentando esconder o desaparecimento da Arquiduquesa, essa quietude é absurda.

Pelas olheiras escuras sob seus olhos, ela claramente estava exausta. Mas seu olhar estava mais tenso do que cansado.

— Mais importante… eu deixei um rastro de propósito, e mesmo assim ninguém o seguiu.

Era por isso que ela havia demorado mais do que prometido. A quietude a fez duvidar de suas próprias conclusões, forçando-a a continuar investigando.

— Então o que você está dizendo — perguntou Eileen, firmando a voz contra o coração acelerado — é que Sua Graça talvez já saiba que estou aqui?

— Creio que sim. Acho que você deveria ir embora agora.

Foi repentino, mas não havia o que fazer. Eileen concordou, pretendendo levar apenas os últimos livros antigos de Alessia que ainda não havia terminado.

Alessia levou um dedo aos lábios. Os olhos de Eileen se arregalaram, e ela prendeu a respiração. Logo passos foram ouvidos.

Bam, bam! As batidas na velha porta a fizeram tremer nas dobradiças. Alessia deslizou até a entrada como um gato, punhos prontos, olhar afiado. Uma voz alta chamou do lado de fora:

— Ilen! Está aí? O cliente do camarote quer você de novo!

Diante disso, Alessia inclinou a cabeça, intrigada. Eileen rapidamente a escondeu atrás da porta antes de abri-la.

Era o mesmo funcionário que tinha procurado por “aquele de óculos” da última vez, parecendo entediado.

— Vá até a cozinha, pegue a comida e suba.

Ele saiu sem esperar resposta.

Quando ele foi embora, Alessia olhou para Eileen com curiosidade. Eileen explicou rapidamente o que aconteceu nos últimos dias, incluindo o fato de ter visto o pai. A expressão de Alessia tornou-se estranha.

— O convidado do camarote… poderia ser Sua Graça, o Arquiduque?

Eileen imediatamente balançou a cabeça.

— Mas a caligrafia era diferente.

— Um homem do nível dele pode facilmente ter mais de uma caligrafia. Pode até ter uma para uso militar, por segurança.

A ideia nunca havia lhe ocorrido, e seus olhos se arregalaram. Enquanto Eileen hesitava, Alessia empacotou os livros por conta própria.

— Estou começando a achar que seu pai pode ter sido enviado à Rua Fiore por ordem de Sua Graça.

— Por… Sua Graça?

Confusa, Eileen perguntou por quê, e a resposta de Alessia foi firme:

— Para fazer você retornar à propriedade do Arquiduque por vontade própria.

Seria isso verdade?

Mas Cesare sabia tudo sobre sua relação com o pai. Ele inclusive estivera com ela naquela taberna da Rua Fiore quando testemunhara o comportamento deplorável do pai.

Ele era implacável em buscar seus objetivos, mas com Eileen sempre fora gentil. Ele enviaria o pai sabendo o quanto isso a machucaria?

E, ainda assim, parte dela se perguntava se Alessia estava certa, se aquilo realmente poderia ter sido ordem dele.

Ela afastou esse pensamento e forçou-se a falar em negação.

— Eu não acho que o Cesare faria isso…

Continua…

Tradução e Revisão: Elisa Erzet

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