Noites de Caos (novel) - Capítulo 77
Tradução: Gab
Revisão: Gab
Ela sentia náuseas. Também estava com dor de cabeça. Era como da primeira vez que bebeu álcool, não conseguia recuperar a compostura, como se tivesse sido atingida na cabeça. Eun-Ha abriu os olhos em surpresa ao sentir alguém agarrar seu pescoço. Uma pequena caixa adornada com najeonchilgi* entrou em seu campo de visão.
*Najeonchilgi: uma técnica decorativa tradicional que consiste em incorporar conchas de moluscos iridescentes e polidas (abalone, ostra) em peças laqueadas (polida e invernizada).
Quando seu ritmo cardíaco voltou ao normal, o chilrear de um pássaro tornou-se audível. Era um quarto familiar. De um lado, estavam penduradas as roupas que ela havia trazido. Somente então a mulher relaxou o corpo. Ergueu o tronco enquanto, aos poucos, recuperava as forças e notando que vestia roupas limpas.
Ela não conseguiu lidar com os maus-tratos deles. E, finalmente, abandonaram-na em um lugar desolado. Ainda se lembrava de quando ele disse para não deixarem mais marcas em seu rosto.
Eun-Ha tentou apagar essas lembranças da cabeça.
Como voltei viva?
Uma pergunta súbita lhe ocorreu. Ela viu uma sombra na porta de papel. Quando a porta se abriu, Gari apareceu com uma bacia.
“…Você está acordada?”— Gari fechou a porta e então se aproximou dela com uma expressão irritada.
Conseguia até ouvir os passos apressados dos serviçais.
“O que aconteceu! Por que fugiu? Olhe só para você!”
“Fugiu…?”
“E então, por quê? Por que desapareceu sem olhar para trás quando eu gritava desesperadamente o seu nome?”—Gari expressou seu ressentimento. Ela, que a abraçou, começou a soluçar.
“Eu queria encontrar a minha irmã. Mas eu não fugi, acredite em mim. Eu não…”
“Todo mundo ficou preocupado. Sabe o quanto eu fiquei com medo?”
Não foram apenas os serviçais que acreditaram que ela havia fugido; até Jihak acreditou. Eun-Ha deu leves tapinhas nas costas de Gari. Os soluços clarearam sua mente.
Por que ela estava tão triste?
“Desculpe. Eu vou explicar, então pare de chorar.”
“Eu temi que a minha cabeça fosse cortada…”— Os soluços de Gari cessaram quando alguém gritou do lado de fora da porta.
“Rápido! Ela precisa comer!”
Eun-Ha, que enxugou as lágrimas de Gari, disse que deveriam sair. Mas Gari segurou seu braço.— “A partir de hoje, você vai ter que comer conosco.”
“Eu…”
“Eu sei que está assustada, mas precisa comer para se recuperar. Unnie, você ficou doente por três dias e o Milorde Jihak não visitou o seu quarto nenhuma vez. Enfim, os nobres mais altos são todos iguais. Só se interessam por coisas em seu estado perfeito.”
Ela não sentiu medo algum.
“Agora a Unnie só pode entrar nos aposentos de Jihak sob certas circunstâncias.”
“É verdade?”
“Mesmo que seja a única pessoa de quem ele gosta, o Jihak disse que não precisava de servos.”
Seu coração disparou rapidamente. No momento em que percebeu que Jihak finalmente a havia abandonado, seus pulmões se retesaram como se fossem se romper. Eun-Ha, que estava sendo conduzida até a cozinha por Gary, soltou um suspiro.
Ela havia sido abandonada, como já esperava.