Noites de Caos (novel) - Capítulo 76
Tradução: Gab
Revisão: Gab
“Sim, ele é cego. É por isso que leio livros para ele.”
“Quem capturou o tigre? Quando o Príncipe era o herdeiro do trono, tinha as melhores habilidades de arco e flecha. Foi um arco de madeira que matou o tigre, não foi?”
“Escutei que foi Jihak quem atirou. Mas é só um boato.”
“Hmm… quem são as pessoas que visitaram a casa dele?”
“Eu não sei quem são. Como seria possível eu conhecer tanta gente? Eu conheço apenas os mercadores que transportam comida, o lenhador, o dono da livraria e os servos que recolhem esterco!”
“Que livros você lê?”
“Leio poesia. Às vezes, literatura. Também leio prosa em línguas ocidentais. Leio qualquer coisa. Eu sou os olhos do Jihak.”
“Ele a tomou em seus braços?”
Eun-ha abaixou a cabeça. Um nó se formou em sua garganta. As lágrimas escorreram.
“Eu nem ouso sonhar com algo assim. Uma pessoa igual a mim…!”
Ela se sentia frustrada. Queria somente levar uma vida normal, trabalhar para ganhar dinheiro, comer, dormir… Mas os outros tinham a sua vida nas palmas das mãos.
“A vida da sua irmã está nas minhas mãos.”— Jongshin agarrou seu cabelo. Ela podia sentir o cheiro de ópio em seu hálito.— “Se você fizer direitinho o que for mandando, poderá viver feliz com ela. Talvez eu até lhes dê um pedaço de terra onde ambas possam viver.”
Ele largou o cabelo de Eun-ha.— “É fácil envenenar a comida de um homem cego, mas apenas você consegue se aproximar dele. Ele não morrerá se consumir o veneno algumas vezes, precisa se acumular nos órgãos até apodrecer. Você só precisa adicioná-lo à comida do Príncipe.”
“Veneno?!”
“É a única maneira para que consiga viver com a sua irmã, então pense bem. Se você revelar o que aconteceu hoje, sangue poderá ser derramado.”
No momento em que tentou se levantar, ela caiu devido ao golpe na nuca. A venda foi retirada de seus olhos. Eun-ha fechou os olhos lentamente enquanto observava os sapatos de seda se moverem.
***
Heein não pôde deixar de se surpreender ao ver Jihak pressionar uma faca contra o seu pescoço. Não apenas pelo repentino ataque, mas porque ele também apontava a faca para a sua irmã.
Ela olhou para Jihak.— “Eu disse que não sei! Só a convidei para tomar chá.”
“Como ousa? Não pode sair por aí fazendo o que quiser sem a minha permissão.”— Ele revirara a casa dela no meio da noite.
“Eu senti que aquela garota seria venenosa. Soube desde o momento em que vi os olhos dela, mas não imaginei que o desaparecimento dela o afetaria tanto. Aconselhei-a a não se envolver emocionalmente com você, pois deve voltar para o seu lugar como Príncipe Herdeiro!”
Jihak cortou impiedosamente a porta de papel. Heein, prendendo a respiração, tremia ao ver a porta se partir ao meio.
“Tenha em mente que eu não tirei a sua vida pois você é minha irmã.”
Jihak virou-se. Um guerreiro, que acabara de chegar, relatou.— “Encontramos a Eun-Ha, Milorde!”
Jihak saiu imediatamente, sem olhar para trás. Sua mente estava vazia. A mulher havia quebrado a sua confiança. O mais estranho é que ela não tinha ido para a casa de Shihoon, onde sua irmã estava.
Por isso, pensou que a própria irmã havia sequestrado Eun-Ha. Seu aperto era tão forte que suas unhas perfuraram a própria pele. Finalmente, ele chegou ao lugar indicado pelo guarda dela.
“Ela estava na encosta da montanha. Assustada. As roupas rasgadas e o rosto machucado. Que desgraçado fez isso com ela…!”— Yuljae segurava a Eun-Ha sob o luar.
Ele caminhou em direção a ela com o olhar desfocado. Sua boca se abriu ao notar o hematoma no rosto de Eun-ha.
Quem ousou…!
Ele tentou acariciar sua bochecha com a mão ensanguentada, mas recuou quando viu as suas lágrimas. Jihak, dominado pela fúria, colocou seu casaco sobre o corpo dela. Então começou a caminhar em direção à casa.
Na trilha da floresta, apenas seus passos podiam ser ouvidos.