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Noites de Caos (novel) - Capítulo 54

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Tradução: Gab
Revisão: Aeve

 

Ela pegou um pincel. A pessoa que ocupava sua mente o tempo todo era Jihak, a quem Eun-Ha servia. Pensara que talvez ele fosse aquele que a salvou da casa das cortesãs. Ela deveria contar como estava para sua irmã mais nova.

‘Estou bem. Graças a você. Agora esqueçamos os dias tristes.’

Ao abrir a porta para buscar água para beber, encontrou Shihoon parado diante de suas sandálias de palha. Yongi baixou o olhar para elas, as quais estavam gastas e, lentamente, ergueu-o em direção ao rosto frio do homem. Seus punhos cerrados tremiam.

“Jovem mestre.”

“Como você ousa…”

“Jovem mestre.”

“É realmente verdade que se tornou concubina do meu pai?” — Ele entrou no quarto com os sapatos calçados, bateu a porta, agarrou os ombros de Yongi e a pressionou contra o chão. — “Responda-me logo!”

 

***

 

Seu coração batia forte enquanto ela andava de um lado para o outro. Já não nevava ao amanhecer. Os dois pássaros pousados ​​na janela voaram para longe quando a abriu e o vento soprou, vindo da floresta que estava silenciosa, e o céu logo ficou vermelho.

Ela ouviu outra janela se abrir. Era o quarto do Gari. Quando Eun-Ha colocou a cabeça para fora, seu coração bateu mais rápido. Era estranho. Por que o coração dela batia tão rápido? Odiava aquela sensação que fazia seu rosto ficar vermelho. Então, se afastou da janela e trocou de roupa, mas o calor em seu rosto não diminuiu.

“Eu a chamei. Não me ouviu?”— Gari, que a encontrou perto do poço, estendeu um pano de prato. Ela secou o rosto molhado e virou a cabeça para onde a serva olhava. Naquele lugar estava Yuljae.

“Pode ir. Vou tomar café da manhã logo.”

“Obrigada.”

Depois de recuperar o fôlego, ela se aproximou do homem. Uma gota escorreu por sua testa. Seu rosto parecia cansado, provavelmente por ter ficado acordado a noite toda. Quanto à sua aparência, ele estava tão arrumado quanto sempre estivera.

“O Milorde não conseguiu dormir a noite toda, então, o modo como fala e suas ações podem acabar irritando-o. Esteja preparada.”

“Mas ele consumiu muito álcool, por que não conseguiu dormir?”

“Ele não dorme bem desde que foi envenenado.”

Eun-Ha hesitou. Não conseguia acreditar, pois já o vira dormir várias vezes. — “Entendo. Levarei isso em consideração.” — Depois de se curvar para Yuljae, ela sacudiu a saia que estava molhada.

 

***

 

Parada em frente ao quarto do Milorde, ela abriu a porta. Jihak virou a cabeça em sua direção e Eun-Ha se aproximou dele, que estava sentado perto da janela.

“O senhor me chamou?” — Ela se ajoelhou e o olhou. Como Yuljae havia dito, sua expressão não era nada boa, talvez por ter passado a noite em claro.

Silenciosamente, ele lhe entregou um livro. — “Leia.

“O café da manhã…”

“Eu não preciso disso.” — Os olhos vazios dele se voltaram para ela como se estivessem embriagados.

A leitora evitou o olhar quando se encontraram. Seu coração começou a bater descontroladamente. Então, ela abaixou a cabeça para virar a primeira página. Era um livro em sua língua nativa, não na língua ocidental. Quando ergueu a cabeça, perplexa, ele pegou o casaco pendurado na parede e o colocou sobre os ombros dela. Neste momento, deitou-se ao lado dela.

Jihak, que segurava sua saia, piscou as pálpebras como se elas fossem fechar a qualquer momento. — “Leia. Quero ouvir sua voz.”

Embora não entendesse o pedido, Eun-Ha recitou o primeiro capítulo. — “Cada caule cede sob o peso da neve. Apenas o bambu permanece resiliente em meio às fortes tempestades do inverno.”

Sua voz suave ecoou no frio e seus dedos tocaram o pulso dela, que segurava o livro. Ele franziu a testa enquanto arregaçava as mangas para cima. Talvez tivesse se queimado nas chamas na noite anterior.

Eun-Ha, que estava com dificuldade para respirar devido aos batimentos cardíacos acelerados, baixou o olhar para o pulso que ele agarrara. — “Dentre os itens queimados ontem estava um poema que escrevi. Tolamente, quis guardá-lo comigo… Então, empurrei o senhor, Milorde.”

“Entendo.”

“Você não está bravo? Eu o machuquei.” — Ela acariciou seu pulso vermelho.

“Estou com medo, meu coração está batendo tão forte que tenho até medo de morrer. Acho que possuo uma doença mortal. Espero melhorar.” — Ela parecia que ia chorar. Mas ele fechou os olhos e enterrou o rosto na saia dela.

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