A Tatuagem de Camélia - Capítulo 47
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- A Tatuagem de Camélia 1
Atchim!
Amber espirrou e esfregou o nariz.
Ela estava profundamente enterrada entre as velhas estantes da biblioteca.
Esse lugar empoeirado era a única biblioteca no Castelo de Niflheim.
Geralmente abandonada e solitária, Amber abriu as portas bem fechadas e começou a limpar.
— Minha senhora, este livro está completamente apodrecido.
— Coloque-o na mesa ali. Precisaremos restaurá-lo.
— Sim!
Não apenas Nora e Betty, mas várias outras criadas também foram mobilizadas para a limpeza. Elas limparam o pó acumulado no chão e nas prateleiras, varreram as teias de aranha e poliram as janelas com panos secos até que brilhassem.
Depois de todo esse esforço, o lugar finalmente parecia apresentável.
— Vocês trabalharam duro. Informarei à cozinha, então podem esperar uma refeição especial para o jantar.
— Uau, uma refeição especial!
Nora, que adorava comida, ficou radiante de alegria. Depois de uma faxina tão árdua, quem não adoraria uma refeição de peru ou porco assado?
E não era só isso. Amber era uma senhora generosa, sempre garantindo que houvesse muitos agrados, como biscoitos e doces.
— Vossa Graça, separei os documentos que a senhora pediu.
— Obrigada pelo seu esforço, Betty.
Betty, que era extremamente eficiente em seu trabalho, era de fato uma grande ajuda.
O que Amber precisava agora não eram romances ou poesia.
Ela procurava por: “Registros dos antigos ajudantes ou secretários do antigo Grão-Duque”.
O que eram esses registros?
Normalmente, eram escritos pelos auxiliares mais próximos do senhor, documentando os acontecimentos diários da propriedade, quase como um diário. Como eram escritos quase diariamente, naturalmente incluíam os sentimentos pessoais, opiniões e preocupações de quem os escrevia.
E com o que a maioria dos ajudantes se preocupava?
A propriedade, é claro.
[…… o Grão-Duque não me deixou sair do trabalho de novo hoje. Estou exausto. Como vou me casar desse jeito? Ele acha que está tudo bem só porque já é casado?]
‘ …Hm, sim. É comum que opiniões pessoais escapem assim.’
Amber estremeceu diante do desabafo logo na primeira página, pois aquilo a fez lembrar de Jean.
Ignorando os resmungos que continuavam por um tempo, ela virou as páginas e finalmente encontrou algum conteúdo relevante.
[Não podemos esmagar Nidhogg nem esfolá-lo vivo. O Imperador não para de pressionar sobre quando iremos à guerra. Se ele vai nos forçar, que pelo menos forneça fundos!]
‘…Por que isso me lembra tanto o Jean?’
Ela queria continuar lendo, mas se distraía o tempo todo. Será que todos os auxiliares eram assim?
Apesar de algumas passagens surpreendentes, Amber manteve a compostura e leu todo o livro de registros.
‘Este não tem muito do que eu preciso.’
A eficiência de Betty como criada ficou evidente quando ela organizou os inúmeros registros por ano. Graças a isso, Amber pôde começar a ler os registros mais antigos após o primeiro livro.
— Senhora, o Príncipe está perguntando sobre o chá de hoje.
— Ah, eu esqueci. Por favor, diga a ele que estou muito ocupada para tomar chá hoje.
— Sim, entendido.
Desde a manhã, ela estava fazendo faxina, pulando até o almoço. Depois disso, ficou lendo os registros, sem nem perceber que estava com fome.
Agora, essa esperança murchou com um som desanimador.
‘Há alguns planos de negócios, mas…’
Ela não tinha certeza de quão eficazes seriam.
Massageando as têmporas, Amber se levantou. O ar parecia sufocante. Ela precisava de ar fresco imediatamente.
— Ah, assim está melhor.
Com um estrondo, a janela se abriu.
Inclinada no parapeito da janela, Amber respirou fundo.
Embora fosse primavera, os altos picos das montanhas ainda estavam cobertos de neve e gelo. Naturalmente, o vento carregava um leve traço de neve.
Amber nunca havia provado em si, mas todos no Norte conheciam seu sabor. Mas também reconhecia aquela sensação sutil e fria no ar como o gosto da neve.
— Neve. Este lugar está cheio de neve. O frio, as montanhas imponentes… eternamente sem derreter…
Amber inclinou a cabeça.
‘Neve que não derrete.’
Fitando as montanhas, absorta, ela olhou para as próprias mãos e fez um gesto de agarrar.
Quando pensava em neve e gelo, o caminho não estava claro, mas pensar em neve e altas montanhas de repente fez tudo parecer aberto e óbvio.
— Igmeyer!
Ela tinha que encontrá-lo antes que essa ideia incrível escapasse.
Ela juntou a saia e saiu correndo da biblioteca.
Os empregados, que nunca a tinham visto correr antes, ficaram chocados, mas ela não tinha tempo para se preocupar com isso.
— Jean, onde está o Igmeyer?
— Uh… ele acabou de sair.
— Agora mesmo? Quando exatamente? E quando ele volta?
— Bem… ele pode voltar tarde esta noite… ou talvez amanhã de manhã… Por que pergunta?
Ela havia entrado no escritório sem avisar e encontrou Jean tranquilamente escrevendo seus registros, sem sinal algum de Igmeyer.
Normalmente, isso não seria um problema. Igmeyer não era de anunciar suas idas e vindas, e Amber também nunca tinha exigido isso.
Mas agora, ela estava frustrada. Queria discutir essa ideia imediatamente!
— Jean, me escute.
— O que foi…?
Com a ausência de Igmeyer, Amber agarrou Jean e falou sem parar para respirar.
— Você sabe o que é esqui?
— Esqui? Nunca ouvi falar.
Claro que ele não sabia. Era por isso que ninguém tinha pensado nisso até agora.
Incapaz de conter sua empolgação, Amber se jogou na cadeira em frente a Jean.
Ele parecia um pouco sobrecarregado com sua intensidade, mas demonstrava uma curiosidade genuína por aquela palavra nova.
— Esqui é parecido com andar de trenó na neve. Mas, em vez de um trenó, você prende uma coisa longa em cada pé.
— O quê? Como isso é possível?
— Imagine prender trenós na sola dos seus sapatos. Trenós bem longos. Você desce as montanhas neles. Em terras distantes, até existem competições de esqui; é um esporte popular.
Quando Amber era pequena, conheceu uma delegação de outro país frio, muito distante dali.
As pessoas eram altas, tinham barbas longas, olhos azuis e falavam uma língua muito peculiar.
A pequena Amber tentou aprender a língua deles, e a delegação achou seus esforços encantadores e cativantes, ensinando-lhe várias coisas.
Embora não pudessem se comunicar diretamente, havia um tradutor, então eles conseguiram transmitir os significados, e Amber adorava ouvir sobre diferentes aspectos do mundo deles.
Uma dessas coisas era o esqui.
Este esporte, praticado em montanhas nevadas, não era exatamente seguro. Conforme você desce, ganha velocidade, tornando difícil parar ou se controlar.
Mas as montanhas não continham só neve. Há árvores, trepadeiras, até animais.
O desafio é evitar todos esses obstáculos e ver quem chega primeiro ao fundo. Esse é o esporte emocionante e perigoso que é o esqui.
E a maioria das pessoas que pratica esqui é atraída por esse ‘perigo’.
— Eu nunca imaginei que existissem pessoas que quisessem arriscar a própria vida por diversão.
— Não é? Mas realmente existem pessoas assim.
— Incrível.
Jean, ouvindo a história de Amber, assentiu em concordância.
Pensando bem, poderia ser uma atração turística perfeita para o Norte, sem desvantagens.
— Mas o problema ainda são os monstros. Nós lidamos com cerca de 90% dos que saem dos portais. O resto se esconde nas montanhas nevadas. Alguns são fáceis de encontrar porque viajam em grupos, mas outros se escondem sozinhos.
— Sim, mas não importa. Este é um plano para depois que Nidhogg for derrotado.
— Então, é um plano para nossa sobrevivência?
— Exatamente.
Amber assentiu, olhando para Jean com os olhos cheios de expectativa. Seu olhar pedia que ele ajudasse a desenvolver os detalhes.
— Vale a pena tentar como um projeto piloto. Não é?
— Sim. Mas como e quando começar a guerra final não é responsabilidade minha…
— Eu sei. Também vamos precisar convencer o povo do Norte de que isso pode nos ajudar a sobreviver sem depender dos monstros.
Essa era uma esperança conquistada com muito esforço.
Ao ver que Jean enxergava algum potencial na ideia, Amber decidiu valorizá-la e cultivá-la.
— Sabe, em Shadroch eles têm algo chamado branding.
— O que é branding?
— É sobre convencer os compradores de que seu produto é mais valioso que os outros. Você promove com base em fatos, mas faz parecer ainda melhor. Diz a eles para comprar, que possuir aquilo os tornará uma pessoa melhor. É sobre explicar e persuadir.
— Interessante. Isso parece fascinante.
Os olhos de Jean brilharam.
A perspectiva de dinheiro deixou Jean mais entusiasmado do que nunca.
Ver seu entusiasmo lembrou Amber dos apelos desesperados que ela tinha lido dos auxiliares nos últimos dias, fazendo-a estremecer um pouco.
‘Se isso der certo, darei um aumento a Jean.’ Ela pensou e então falou:
— Podemos usar a flor de camélia como parte do nosso produto turístico.
— Por exemplo?
— Lembra quando eu disse que o esqui envolve prender coisas parecidas com trenós na sola dos sapatos? Aquilo se chama ‘esquis’. Podemos pedir que artistas locais pintem desenhos de camélias neles.
Esses esquis pintados com camélias seriam exclusivos de Niflheim, atraindo entusiastas do esqui para a região.
A presença de monstros não os impediria; desde que ninguém seja realmente comido, a emoção provavelmente os atrairia ainda mais.
Considerando as características do esqui, as personalidades dos esquiadores e a emoção do esporte, Amber acreditava que este era um plano viável.
— Interessante. Também poderíamos adicionar símbolos do Gigantes de Gelo a eles.
— Exatamente! Ou poderíamos pintar estrelas do céu noturno. Dessa forma, mesmo aqueles que não querem camélias ou símbolos dos Gigantes de Gelo terão opções.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet