O Marido Malvado - Capítulo 96
Cesare encarou Eileen com intensidade. Embora ela tivesse pedido para ser abraçada, já estava em seus braços. Parecia que o homem se perguntava se havia um significado mais profundo por trás daquele pedido.
Para confirmar seus pensamentos, Eileen estendeu as mãos trêmulas em direção ao uniforme dele e começou a desabotoar os botões com cuidado. Olhos vermelhos acompanhavam cada movimento. Quando ela chegou ao terceiro botão, sua mão interceptou rapidamente a dela.
— Não há necessidade disso — ele falou, em um tom firme, porém gentil. — Eu te contaria de qualquer jeito.
Cesare deu um passo para trás, afastando-se de Eileen, e começou a abotoar novamente o uniforme, sua voz suave e baixa enquanto continuava.
— Lucio Zaetani nutre sentimentos por você desde a época da universidade. Seu afeto não era puro, ele também se envolveu em comportamentos inadequados.
Eileen sempre soube que Cesare a observava durante seus anos universitários, protegendo-a à distância.
Mas não esperava que ele soubesse detalhes tão específicos sobre os sentimentos e ações de alguém. A própria Eileen desconhecia esses detalhes até aquele momento.
— Por exemplo, ele manchava objetos destinados a você como presentes com o próprio sêmen.
Os lábios de Eileen se separaram involuntariamente diante das palavras gélidas de Cesare. Apesar de ouvi-las claramente, teve dificuldade em compreender a gravidade do que fora dito. Cesare observou sua expressão desnorteada e continuou.
— Recentemente, ele tentou cometer atos vis em seu laboratório. Sob ordens do duque Farbellini, tentou roubar materiais de pesquisa.
— O senhor Lucio? — murmurou Eileen, seu rosto empalidecendo. — Eu não sabia…
— Você não saberia.
Cesare segurou o rosto de Eileen com ambas as mãos, obrigando-a a encará-lo. Seus olhos buscaram os dela, que tremiam, como se tentasse transmitir algo sem palavras.
— Era isso que eu esperava.
A percepção atingiu Eileen com um choque. Cesare havia ocultado a verdade para protegê-la dos detalhes sórdidos. Ele escolhera lidar sozinho com tudo o que era desagradável, mantendo-a afastada das impurezas fora do mundo cuidadosamente mantido por eles.
— Eileen, — chamou ele em voz baixa, trazendo-a de volta de seus pensamentos. Seu olhar permaneceu firme, refletindo sua imagem com um leve traço de tristeza. — Eu não vou te contar tudo.
Os olhos carmesim se prenderam nos dela, e Eileen viu seu próprio reflexo — turvo, quase distorcido pelas emoções e pelas verdades que ainda não conseguia assimilar por completo.
— Mas prometo, — continuou Cesare, — que a partir de agora vou te tratar de forma diferente.
Embora ainda ocultasse certas verdades, ele estava disposto a ser mais aberto sobre o que existia além dos limites que estabeleceu. Era um passo em direção a uma honestidade maior.
A voz de Eileen tremeu ao responder, ainda tomada pela emoção.
— …Eu não sabia. Quase te interpretei mal outra vez.
Eileen havia brevemente considerado o pensamento perturbador de que Cesare poderia ter executado Lucio. Era uma noção passageira e inquietante, mas havia passado por sua mente.
— Pessoas comuns não são mortas assim.
— Então o senhor Lucio…
— Eileen.
O sorriso de Cesare se torceu levemente, revelando um traço de raiva.
— Se continuar falando dele, seu marido pode acabar pensando mal de você.
Ele apertou as bochechas de Eileen, fazendo seus lábios formar um biquinho. Embora sua atitude fosse brincalhona, seu tom permaneceu frio ao acrescentar:
— Posso pensar que minha esposa talvez tivesse sentimentos por ele.
Os olhos de Eileen se arregalaram em choque. Cesare havia entendido tudo errado. Ela tentou se defender, formando palavras curtas e hesitantes, mas Cesare falou primeiro.
— Eu sei. Isso é impossível.
Havia uma confiança absoluta em sua voz — a certeza de que Eileen jamais olharia para outra pessoa. Cesare conhecia bem a lealdade e os sentimentos dela.
— Ainda assim, não é uma sensação agradável.
Ele soltou o rosto dela, e a tensão diminuiu.
— Você recebeu meu presente? Foi obtido do Duque Farbellini.
Quando Cesare mudou de assunto, Eileen, por instinto, estendeu a mão e segurou a dele. O contato fez um arrepio percorrer seu corpo, tornando-a consciente do calor da pele dele contra a sua.
— Eu… eu…
Apenas segurar a mão despertava um turbilhão de emoções, o contato físico intensificando tudo.
— Vamos falar disso depois…
— Depois?
O olhar de Cesare se tornou afiado, como se a desafiasse a continuar. O rosto de Eileen corou, e ela falou com hesitação.
— Agora, se não for incômodo… você ainda está, talvez, evitando esse tipo de coisa…?
Cesare inclinou a cabeça levemente, sem palavras. Por um instante, Eileen pensou em fugir pela floresta sinistra além da porta dos fundos. Parecia uma opção melhor do que permanecer ali, incapaz de olhar para ele de tanta vergonha.
Após observar o desconforto de Eileen, Cesare desabotoou rapidamente o botão superior do uniforme e, em seguida, os demais. A camisa por baixo ficou visível. Ele perguntou com calma:
— Você quer?
Eileen lutou para encontrar uma resposta. Antes, reuniu coragem para pedir um abraço, querendo confirmar o afeto de Cesare. Agora, deparava-se com uma postura fria e distante.
Até agora… isso foi apenas uma obrigação?
Ouviu dizer que recém-casados se entregavam a isso todos os dias, mas a frequência entre ela e Cesare era notavelmente baixa. Mesmo quando misturavam seus corpos, Cesare firmemente rejeitava seus pedidos por mais prazer.
Quanto mais pensava, mais parecia que os momentos de intimidade do passado haviam sido apenas uma obrigação, não uma conexão genuína.
‘Eu agi sem pensar novamente?’
Agora, Cesare parecia tentar abraçá-la por dever. Ao perceber isso, Eileen balançou a cabeça lentamente e respondeu:
— Não… me desculpe por tomar seu tempo.
Sem conseguir suportar o constrangimento e querendo escapar, pensou que seria melhor voltar rapidamente ao arquiducado. Eileen deu um passo para trás, tentando se afastar.
— Obrigada por me contar. Eu vou… voltar para casa primeiro…
Mas, ao recuar, Cesare avançou, fechando calmamente a distância , como um predador encurralando sua presa. Em pouco tempo, Eileen estava pressionada contra a parede, com Cesare à sua frente. Confusa, ela olhou para cima e murmurou suas palavras inacabadas.
— Eu vou indo…
— Eileen.
— S-sim?
Sua voz vacilou. Tremendo como um ratinho acuado, ela o observou apoiar a mão na parede, projetando uma sombra escura sobre ela. Ele falou como se estivesse prendendo-a.
— Para onde você acha que vai, se eu já comecei a te despir?
Para ser preciso, ele já a despira antes, e agora apenas continuava. Mas não havia tempo para discutir detalhes.
— Hum, quero dizer, para casa.
— Por quê?
— Há muito trabalho para fazer… Ah!
Enquanto a voz de Eileen se perdia, engolida por sua crescente sensação de pânico, Cesare fez um movimento decisivo. Ouviu-se o som do tecido rasgando quando ele desfez seu vestido.
Os olhos de Eileen se arregalaram em choque, fixos em Cesare. Sua expressão era uma mistura de divertimento e intensidade, como se algo dentro dele tivesse mudado.
De repente se perguntou sobre o que poderia ter feito de errado, Cesare removeu rapidamente a parte superior de seu vestido. Exposta à luz do dia apenas em sua roupa íntima, Eileen rapidamente cruzou os braços em volta de si mesma.
Ao olhar para Cesare, ele pegou delicadamente sua mão esquerda e levou aos lábios.
— Você quer ir embora depois de ouvir sobre seu senior?
— Nã-Não é isso…
Antes que pudesse concluir, Cesare mordeu o quarto dedo da sua mão esquerda, com força suficiente para deixar a marca dos dentes logo acima da aliança.
— Não vá, Eileen.
Cesare lambeu o dedo mordido e depois beijou a palma de sua mão. Seus cílios longos e escuros emolduravam os olhos, agora tomados por um brilho sedutor. Ao observá-la de cima, sua voz se transformou em um sussurro sensual.
— Fique com o seu marido.
Continua …
Tradução: Elisa Erzet