O Marido Malvado - Capítulo 95
Cesare nunca mentiu para Eileen. Ao invés de proferir mentiras, ele preferia o silêncio. Sempre foi sincero com ela, e esta situação não foi diferente. Ele quis dizer cada palavra que proferiu. Se Eileen lhe prometesse, revelaria tudo que ela quisesse saber.
Mas Eileen não podia fazer tal promessa. O pedido a abalou profundamente.
Sua mãe sempre lhe ensinara que suas vidas pertenciam ao Príncipe. Até as últimas palavras da mãe haviam sido em nome do Príncipe.
“Minha querida Lily”, — a mãe sussurrou com lábios ressecados, seu rosto pálido pela doença.
“Viva para o Príncipe.”
Os olhos da mulher brilharam com uma mistura complexa de ciúme, raiva e amor, deixando uma marca indelével no coração de Eileen – uma espécie de maldição.
Ainda assim, Eileen aceitara aquela maldição de bom grado. Mesmo sem as palavras de sua mãe, ela teria vivido para o Príncipe.
Por isso, não podia mentir para Cesare prometendo não morrer por ele.
Quando ela não respondeu, o sorriso de Cesare se alargou levemente. Um sorriso distorcido repuxou seus lábios, como se ele soubesse desde o começo que ela seria incapaz de cumprir.
Ver aquele sorriso despertou algo em Eileen. Antes que pudesse processar completamente suas emoções, as palavras brotaram de seus lábios.
— Então você também.
Foi um impulso visceral — o mesmo que ela sentiu ao ver sua mão sem cicatrizes e ao questionar como sabia sobre o anel de casamento descrito em seu diário. Aquela intuição dominou novamente, levando-a a falar de forma lenta e deliberadamente.
— Prometa que não morrerá por mim.
A própria absurdidade do pedido a atingiu no momento em que as palavras foram ditas. Cesare dar a vida por ela? A simples ideia parecia risível. Provavelmente ele também acharia isso ridículo.
Era mais provável que o céu desabasse do que ele fazer tal promessa. Ainda assim, Eileen não conseguiu se conter. Não compreendia exatamente o motivo, mas precisava ouvir a resposta. Queria que o homem prometesse vida, não morte.
— Se você fizer isso, então eu também prometo.
Quando terminou de falar, um silêncio pesado caiu entre os dois. Eileen desviou o olhar, incapaz de continuar encarando Cesare. O medo da reação às suas palavras tolas fez seu coração acelerar. Esperava que ele não a ridicularizasse demais.
Aguardou ansiosamente por sua resposta, até que ouviu uma risada. Hesitante, levantou a cabeça e viu Cesare sorrindo. À primeira vista, parecia uma risada genuína, mas havia uma frieza que fez Eileen se encolher ainda mais.
— Isto é problemático, — ele disse, seus olhos curvados pelo sorriso. E assim, murmurou para si mesmo: — Eu já quebrei essa promessa…
Eileen não conseguiu compreender totalmente o que ele quis dizer. Quis perguntar se ouvira mal, mas as palavras não saíram.
Cesare puxou a cadeira para mais perto, prendendo Eileen entre suas pernas. Sem pedir permissão, pegou sua mão. Embora seus movimentos fossem firmes, o modo como segurava era surpreendentemente gentil. Como se apenas tocá-la não fosse suficiente, Cesare começou a retirar lentamente as luvas de couro.
A pele se tocou e, apenas com o contato das mãos, uma sensação de formigamento percorreu profundamente as paredes internas de Eileen. Se deu conta, com intensidade, das coxas musculosas de Cesare envolvendo-a.
Seu olhar vagou, sem foco. Embora estivessem casados havia algum tempo, tinham sido íntimos apenas duas vezes. Desde então, Cesare estava tão ocupado que até dividir a cama se tornou raro. Normalmente, Eileen adormecia antes que ele chegasse ao quarto e, quando acordava, ele já havia partido.
Eileen engoliu em seco. Enquanto tremia de tensão, Cesare permanecia calmo, os olhos baixos enquanto traçava suavemente os dedos sobre os dela.
Ele acariciou as pontas de suas unhas e então lentamente entrelaçou seus dedos, seu aperto firme e reconfortante.
O simples gesto de dar as mãos, intensificado por sua sensibilidade aguçada, pareceu inesperadamente íntimo.
Após um momento, Cesare puxou gentilmente sua mão.
— Ah!
Eileen suspirou quando seu corpo se inclinou para frente, e no instante seguinte, seus lábios se encontraram. Era como se tivessem feito uma promessa silenciosa desde o começo para se beijarem.
Ele deslizou a língua entre seus lábios entreabertos, apertando suas mãos entrelaçadas com força suficiente para causar dor. A leve dor apenas intensificou o formigamento que se espalhou por seu corpo, fazendo-a estremecer.
Com uma mão ainda entrelaçada com a dela, a outra mão de Cesare desceu por suas costas. Seus dedos longos percorreram sua coluna, e Eileen soltou um leve gemido cada vez que eles passavam.
— Hm…
O pequeno som que escapou de seus lábios foi imediatamente engolido quando Cesare voltou a pressionar sua boca contra a dela. A língua explorou sua boca, provocando uma sensação estranha e cócega em sua vagina.
Ele dominou o beijo, roubando seu fôlego. Tonta pela falta de ar, Eileen apertos os olhos, então os abriu novamente. Assim que seus lábios se separaram brevemente, colidiram mais uma vez, continuando o beijo apaixonado.
O beijo a dominou por completo, nublando seus pensamentos e fazendo sua cabeça girar com o tesão. Em meio à torrente de sensações, um pensamento repentino atravessou sua confusão.
‘No fim… ele não vai me contar nada.’
Seria assim novamente? Mesmo sem atender às expectativas de Cesare, Eileen não conseguiu se deixar levar por completo. Com a mão que ele não segurava, empurrou suavemente o peito dele e tentou desfazer o entrelaçar dos dedos, sinalizando que precisava parar e conversar.
No entanto, Cesare pareceu interpretar seu gesto de forma diferente. Ele não cedeu, segurando-a firmemente. Quando seus lábios se separaram brevemente, Eileen conseguiu chamar seu nome.
— Cesare…
Mas ele não respondeu. Não havia espaço para palavras entre eles, Eileen foi completamente consumida pela intensidade do beijo, incapaz de expressar seus pensamentos.
Quando o beijo finalmente terminou, Eileen encarou Cesare, seus olhos refletindo tudo aquilo que não conseguia dizer. Cesare passou os dedos de leve por seus lábios úmidos e falou suavemente:
— Tudo bem se você souber só um pouco.
No passado, quando ela ainda era apenas sua criança, talvez isso fosse aceitável. Mas agora Eileen havia mudado, ela queria mais. Quando balançou a cabeça em negativa, o olhar de Cesare se tornou intenso, perscrutador, como se buscasse um novo entendimento dentro dela.
— O que é que você quer saber tão desesperadamente? — ele perguntou, com curiosidade na voz. — Quando você nem mesmo consegue fazer uma promessa.
Sentindo-se julgada de forma injusta, Eileen respondeu de imediato, mantendo a voz firme apesar da emoção.
— Mas e você, Cesare… também não consegue fazer uma promessa.
— Então eu não posso fazê-la?
— Sim…
Cesare soltou uma risada curta e sem humor. Sua expressão, antes levemente sorridente, agora ficou inexpressiva. A mudança repentina em sua postura fez Eileen congelar, tomada por uma percepção tardia de sua própria ousadia.
— Me desculpa.
Mesmo pedindo desculpas imediatamente, Cesare permaneceu em silêncio, o olhar fixo nela. O silêncio, embora breve, pareceu interminável para Eileen. Incapaz de suportá-lo, mordeu nervosamente seu lábio.
— Eu apenas…
Enquanto sua voz vacilava, Cesare cobriu os olhos com a mão. Após um momento, ele se levantou e caminhou até a janela, encarando a floresta antes de retornar para ela.
Eileen permaneceu imóvel, sentindo como se a tensão a tivesse congelado no lugar.
Cesare então olhou para baixo, para ela, e abriu os braços. Seu olhar previamente intenso suavizou. Eileen, aliviada, se ergueu e o abraçou.
— Eu não quis te assustar. —Enquanto a envolvia, sua voz soou quase reflexiva. — É difícil. Eu pensei que você era mais obediente quando era mais nova.
Eileen quis responder que as coisas eram diferentes agora que ela era adulta, mas prudentemente manteve isso para si. Em vez disso, respondeu em voz baixa:
— Eu não estava assustada.
Na verdade, ela não tinha medo de Cesare, o que assustava naquele momento era a possibilidade de que o afeto dele por ela tivesse diminuído.
A relação deles sempre fora definida por uma hierarquia clara de poder. Tudo exigia a permissão dele. Verdades ocultas, afeto… Eileen não tinha nada que pudesse reivindicar como verdadeiramente seu.
Tomada pela emoção, Eileen ficou na ponta dos pés e pressionou os lábios no canto da boca de Cesare. Ela pretendia beijá-lo, mas o tremor fez com que errasse levemente. Os olhos do homem se estreitaram em resposta.
Vendo sua reação, Eileen gentilmente beijou seus lábios. Até então, Cesare permitira que ela agisse por sua própria vontade.
Embora não pudesse reivindicar o afeto dele, ainda podia expressá-lo. Dentro dos limites que Cesare permitia, Eileen buscou transmitir seus sentimentos.
— Por favor… me abrace.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet