O Marido Malvado - Capítulo 94
Era uma força irresistível. A conversa calma e composta que Eileen havia planejado inicialmente agora estava tão distante quanto os confins mais remotos do continente.
Não importava o quanto tentasse, não conseguia conter o fluxo das lágrimas. Uma onda de emoções complexas a dominava. Mal havia reunido coragem para fazer uma pergunta a Cesare, mas, ao ficar diante dele, o medo a tomou por completo.
Aquela era a porta na qual ela um dia batera até as mãos ficarem doloridas, apenas para vê-la permanecer fechada. Temia que o homem a ignorasse, considerando suas perguntas impertinentes.
Mas a porta se abriu. A primeira preocupação de Cesare foi com o bem-estar dela. A ternura em sua voz ao perguntar se ela havia chorado foi quase mais do que ela podia suportar.
Enquanto fungava, tomada pela emoção, Cesare a puxou suavemente para seus braços. Ele a manteve junto de si, ergueu seu queixo para que não pudesse esconder o rosto e a fitou com preocupação silenciosa.
Seus olhos já estavam vermelhos e inchados de tanto chorar diante de Senon. Se continuasse, o rosto ficaria pior. Mas as palavras suavemente proferidas por Cesare apenas fizeram as lágrimas correrem com ainda mais intensidade.
— Quem ousou deixar minha esposa assim?
Enquanto suas lágrimas transbordavam como uma torneira aberta no máximo, Cesare tirou um lenço e enxugou gentilmente as lágrimas de suas bochechas coradas. Ele falou novamente, com voz repleta de ternura.
— Por que não conta ao seu marido?
Incapaz de conter suas emoções por mais tempo, Eileen choramingou baixinho.
— Foi você, Cesare…
Embora tenha se recomposto rapidamente antes de concluir a frase, aquele fragmento foi suficiente para Cesare compreender a situação. Um brilho frio cintilou por um instante em seus olhos. Após um breve silêncio, ele falou:
— É por causa de Lucio Zaetani?
Eileen balançou a cabeça. Lucio não era a raiz de sua angústia.
— É melhor conversarmos lá dentro.
Cesare ergueu Eileen em seus braços sem esforço. Leve como uma pena, ele a carregou para dentro e então fez um breve gesto a Senon com a cabeça.
Senon, que parecia profundamente abatido, bateu continência com firmeza antes de se dirigir aos soldados posicionados ao redor da casa. Enquanto Senon começava a falar com eles, Cesare levou Eileen para dentro.
Era um espaço que Eileen não esperava conhecer. Enquanto enxugava as lágrimas com o lenço de Cesare, ela observava o ambiente ao redor.
A pequena casa, situada à beira de uma floresta, era bastante modesta para pertencer ao Arquiduque Erzet.
O interior estava quase vazio. Não havia móveis grandes, como uma cama — apenas uma mesa larga, algumas cadeiras, uma grande cômoda e várias caixas, dando a impressão de um lugar usado quando necessário.
Assemelhava-se a um pavilhão de caça, com várias armas de fogo anexadas nas paredes.
‘Será que Cesare gosta de caçar?’ 😏😏😏
Cesare raramente falava sobre seus interesses pessoais. Ainda assim, depois de conhecê-lo por tanto tempo, Eileen tinha certa noção do que ele gostava ou não.
Ocasionalmente, Cesare mencionava aspectos de sua rotina, e quando a caça surgia no assunto, geralmente era em referência a convites de seu irmão Leon ou de outros nobres. Em mais de dez anos convivendo com ele, Eileen nunca o ouvira expressar qualquer desejo pessoal de caçar.
Nem mesmo as revistas de fofoca, que vasculhavam cada detalhe da vida de Cesare, jamais mencionaram que ele praticasse caça por prazer.
Com a curiosidade aguçada, Eileen olhou para a porta dos fundos aberta. Incomum, ela dava diretamente para a floresta. A maioria das casas teria pelo menos um pequeno jardim ou espaço aberto nos fundos, mas aqui, a floresta começava imediatamente.
Parecia que Cesare esteve na floresta pouco antes de sua chegada. Eileen olhou para a escuridão que se estendia além da porta aberta.
A vasta extensão de árvores era densa, com a folhagem espessa bloqueando a luz do sol e criando uma penumbra sombria, apesar de ainda ser meio-dia.
A extensão sombria enviou um leve calafrio por sua espinha. Embora soubesse que Cesare a protegeria de qualquer perigo potencial, um medo inexplicável se apoderou dela.
Uma brisa da floresta carregava um cheiro fraco e perturbador de sangue, embora talvez fosse sua imaginação. Naquele momento, seu medo primitivo até a distraiu momentaneamente de suas lágrimas.
— É um lugar que às vezes uso para caçar, — disse Cesare, com um leve sorriso. —Deve ser a primeira vez que você vê o interior.
Se lembrou dos eventos antes de partir para a frente de batalha e entendeu a confusão de Eileen. Ela queria perguntar por que ele não abrira a porta naquela época, mas sabia que agora não era o momento adequado.
Enquanto observava o interior, percebeu que suas lágrimas haviam parado sem que notasse. Com as bochechas ainda coradas de tanto chorar, ela falou.
— Por favor, pode me colocar no chão agora…
Apesar de já estarem dentro da casa, Cesare ainda não a havia soltado e não parecia ter intenção de fazê-lo. Eileen estava determinada a ter uma conversa séria e sabia que não conseguiria fazê-lo adequadamente daquele jeito. Com firmeza, repetiu:
— Por favor, me coloque no chão. Estou pedindo, Cesare.
Seu tom resoluto fez Cesare levantar uma sobrancelha. Sem dizer uma palavra, ele a colocou suavemente no chão e se moveu para fechar a porta.
Sem o vento da floresta entrando, Eileen sentiu a tensão diminuir aos poucos. Cesare puxou uma cadeira para que ela se sentasse e, depois disso, trouxe outra para si, posicionando-a bem à sua frente.
Embora ambas as cadeiras fossem do mesmo tipo, a que Cesare ocupava parecia um pouco desconfortável para ele, dado seu porte alto, enquanto parecia espaçosa para Eileen. Ele se sentou com as pernas levemente abertas e os braços cruzados, seu olhar fixo nela. Enquanto Eileen lutava para encontrar as palavras certas, Cesare falou primeiro.
— Seu veterano ainda está vivo, Eileen.
— …
— Se quiser, posso mantê-lo vivo por mais algum tempo.
Seu tom era quase condescendente, como alguém oferecendo um doce a uma criança emburrada. Ficou claro para Eileen que Cesare ainda não compreendia o que ela realmente desejava.
Aceitar sua oferta provavelmente suavizaria a atmosfera rapidamente. Ela não teria que se preocupar com a raiva de Cesare ou pressioná-lo mais.
Mas, se aceitasse, nada mudaria entre eles. Eileen continuaria vivendo sob sua proteção, temendo perpetuamente o dia em que poderia ser descartada.
— …Cesare, — ela disse, finalmente reunindo coragem para falar. Resistindo ao impulso de desviar o olhar do vermelho penetrante de seus olhos, perguntou com cautela: — Você ainda… me vê apenas como uma criança?
Era uma pergunta que Cesare não esperava. Ele inclinou levemente a cabeça, analisando o rosto dela como se tentasse decifrar seus pensamentos. Após um momento, respondeu em tom calmo e medido:
— Se eu visse, não teria tirado suas roupas.
O rosto de Eileen corou intensamente, e ela apertou as mãos com força no colo. Lutando para superar o constrangimento, tentou continuar.
— Eu não vim aqui para pedir que poupasse meu veterano.
Cesare ouviu pacientemente, sem pressioná-la ou exigir uma explicação. No silêncio que se seguiu, Eileen reuniu os fragmentos dispersos de sua coragem.
— Isso… isso tudo aconteceu de repente. Um dia eu acordei, e tudo estava diferente. Então veio a matéria no jornal…
O nervosismo fez com que suas palavras saíssem atropeladas, mas ela esperava que Cesare entendesse sua intenção. Ele sempre entendera antes. Então, expressou seu desejo mais profundo.
— Você me fez Arquiduquesa, e quero dar o meu melhor. Não apenas alguém que é sempre protegida sem entender nada…
— Eu sei, — Cesare a interrompeu, sua voz firme, mas carregando uma corrente subjacente de frieza.
Eileen se sobressaltou com a resposta repentina.
— Você sempre deu o seu melhor, disposta até a arriscar sua vida pela minha honra.
Embora seu tom permanecesse calmo, seu olhar estava mergulhado por uma escuridão tão profunda e impenetrável quanto a floresta além da porta. Seus olhos vermelhos, normalmente límpidos, agora estavam turvos por algo indecifrável.
— É exatamente por isso, Eileen, — ele disse suavemente, — que não quero te contar nada.
Então, com um tom que não admitia discussão, ele emitiu uma ordem.
— Me prometa que não morrerá por minha causa. Então direi tudo o que você quiser saber.
Sua voz, fria e profunda como a floresta sombria, envolveu-a por completo.
— Tudo o que você desejar.
Continua …
Tradução: Elisa Erzet