No c* da Cobra - Capítulo 25
A mulher, após fechar os olhos com força e depois abri-los, mexeu desajeitadamente em seu colar. Apertando o pingente de madeira, ela olhou para ele.
— P-Posso… perguntar o que o senhor planeja fazer com… o colar?
— Ora. Isso depende inteiramente de mim, não é? — Benedict respondeu, inclinando a cabeça. — Queimá-lo, jogá-lo no lago, despedaçá-lo.
Mantê-lo intacto não era uma opção. Como esperado, lágrimas surgiram em seus olhos.
Benedict sorriu de canto, com ar de superioridade, essa era a reação que ele antecipara. As lágrimas brilhantes em seus olhos o agradavam. Pareciam gotas de orvalho agarradas a joias rosadas.
— Mestre… — ela sussurrou, a voz carregada de desespero. Benedict se preparou para saborear as súplicas que sabia que viriam. Quão doce sua voz soaria? — O senhor… não poderia simplesmente guardá-lo? Talvez… me permitir vê-lo de vez em quando…?
Sua voz lamentável, implorando para que não destruísse o colar, era música aos seus ouvidos.
Doce como o sabor do sangue. Ele lambeu os lábios inconscientemente.
— N-Não. Não pedirei para vê-lo. Apenas, por favor… não o jogue fora… nem o quebre…
Seus soluços crescentes só aumentaram o prazer de Benedict. Ele considerou quebrá-la por completo, assegurando sua submissão absoluta, para que nunca ousasse desafiá-lo novamente. Sua tenacidade nesses assuntos era incomparável.
Mas a satisfação foi passageira.
— Hã…!?
O rosto da mulher empalideceu drasticamente, como se todo o sangue tivesse sido drenado de seu corpo. Ela começou a tremer violentamente.
Percebendo que algo estava errado, Benedict a puxou rapidamente para si, envolvendo-a pela cintura. — Droga. Ela não estava respirando, como se as vias aéreas estivessem bloqueadas. Ele deu algumas palmadinhas em suas costas ossudas, franzindo a testa preocupado. Depois, pressionou seus lábios contra os pequenos e pálidos dela.
Soprou profundamente o ar em seus pulmões. Uma, duas, três vezes… Repetiu o gesto até que a cor retornasse às suas bochechas esmaecidas e sua respiração se estabilizasse.
Algum tempo depois, Benedict pegou a mulher inconsciente nos braços. Notou o colar balançando precariamente de seus dedos finos. Ele o encarou por um momento antes de arrancá-lo de sua mão sem delicadeza.
Quando o arquiduque entrou na mansão, os criados que o viram duvidaram dos próprios olhos. Mas não importava quantas vezes piscassem, a imagem permanecia a mesma. Uma mulher estava aninhada em seus braços. Aquela que chamavam de escrava. O rosto estava enterrado em seu peito, olhos fechados como em um sono tranquilo, dando a impressão de que haviam acabado de retornar de um passeio despreocupado.
Mas o rosto impassível do homem e sua aura sombria sugeriam que nada daquilo tinha acontecido.
— Chamem a governanta.
Greta, ao ouvir a notícia, imediatamente pressentiu problemas. Hilde, que deveria estar em seu quarto, estava do lado de fora, e com o Arquiduque, ainda por cima. Ela foi direto ao quarto do homem. Assim que ficou diante de Benedict, fez uma reverência profunda, preparando-se para uma repreensão.
— Minha competente governanta chegou — parecia um elogio, mas seu tom era gélido. A atmosfera estava carregada de tensão.
— Eu estava ponderando se isso foi culpa da minha governanta, que deixou a porta da varanda aberta, ou dos guardas do lado de fora, que estavam trocando de turno de maneira descuidada naquele momento.
O olhar de Greta desviou-se para a varanda. A porta estava de fato escancarada. Ela mordeu o lábio com força. Parecia que a porta adjacente não tinha sido fechada corretamente. E, para piorar, coincidiu com a troca de turno dos guardas. Foi incrivelmente uma combinação infeliz.
— … Peço desculpas, Vossa Graça.
Até o olhar dele parecia esmagador.
— Você não ouviu minhas instruções para educar a escrava adequadamente?
— Ouvi, sim.
— Então, por que o ombro dela ainda está naquele estado?
A mudança inesperada no assunto fez Greta hesitar. Embora sua natureza séria não deixasse transparecer, por dentro estava perturbada.
— Você não estava ciente do ferimento no ombro dela?
Ela rapidamente se recompôs e respondeu:
— Não, fiquei sabendo pelo Sr. Lemon.
— Então?
— Como não recebi mais instruções, apenas lhe dei remédio e não chamei um médico.
A aura do homem ficou mais sombria. A sensação de centenas de agulhas geladas perfurando sua pele deixou Greta tensa.
— Eu não tinha certeza se seria adequado que o médico, sendo um homem, a examinasse. — Por isso que ela tinha oferecido uma desculpa, ao contrário de seu costume. — Foi uma falha minha. Assumirei a responsabilidade e examinarei o ferimento agora.
Mas o Arquiduque permaneceu em silêncio, aparentemente insatisfeito com a resposta. Depois de um momento, perguntou:
— Que remédio era?
Greta pegou rapidamente o frasco que preparara para Hilde em seu bolso e entregou a ele. Benedict rolou o frasco na palma da mão e murmurou:
— … Ela não usou, não é?
Então, ele desabotoou as roupas da mulher inconsciente. Greta ficou surpresa com a facilidade experiente de seus movimentos. Parecia que ele já havia feito aquilo muitas vezes.
Logo, seu ombro enfaixado foi exposto. O Arquiduque franziu a testa ao desenrolar o pano. Quão ruim estava? Greta ergueu involuntariamente a cabeça para examinar o ombro de Hilde e se engasgou em choque.
‘Meu Deus, um ferimento tão profundo, e ela não disse uma palavra…’
Mas o que aconteceu em seguida foi ainda mais chocante. O homem começou a cuidar de sua escrava ele mesmo. Limpou e desinfetou a ferida, aplicou remédio e refez o curativo com absurda maestria.
Enquanto isso, Greta recuperou a compostura e aceitou a situação como estava. Essa garota é especial. Quer seu mestre percebesse ou não, ela tinha certeza disso. Hilde era especial. Quer fosse por sua habilidade divina, do capricho do Arquiduque, ou por alguma outra razão. Isso explicava as exceções sem precedentes que vinham acontecendo.
Após amarrar meticulosamente a atadura, o Arquiduque vestiu a mulher novamente e falou:
— Não lhe dê tarefas desnecessárias.
— Entendido, — respondeu Greta, inclinando a cabeça.
Mesmo sem a ordem explícita, ninguém ousaria atribuir qualquer trabalho a Hilde agora. A essa altura, a história do Arquiduque carregando a escrava em seus braços já estaria se espalhando como fogo entre os criados.
Foi então que uma pergunta surgiu na mente de Greta:
— Vossa Graça, ela é incapaz de usar seu poder divino em si mesma?
O olhar do homem se voltou para ela. Algo em seu olhar gélido fez Greta entender instintivamente: jamais deveria falar descuidadamente sobre qualquer coisa relacionada a Hilde.
A ordem veio.
— Encontre um médico. Uma mulher.
Aquilo era praticamente uma resposta.
— Me avise em meu escritório quando ela acordar.
— Sim, Vossa Graça.
Benedict se virou e deixou o quarto sem olhar para trás. Mas Greta viu claramente. O olhar do Arquiduque havia permanecido, ainda que por um instante, sobre o dorso da mão de Hilde.
🌸🌸🌸
Hilde finalmente recuperou a consciência tarde naquela noite.
— O mestre… realmente… poupou minha vida?
Perguntou no momento em que abriu os olhos. Estar preocupada com o bem-estar de uma serva ao acordar… Greta suspirou.
Mas outro desmaio seria problemático, então ela respondeu de bom grado.
— Sim. Sua Graça proibiu que você fizesse qualquer trabalho.
O rosto de Hilde se iluminou instantaneamente. Apesar do cansaço evidente e da dor, seu sorriso lembrava um lírio-do-vale desabrochando timidamente. Greta percebeu novamente que a mulher diante dela era bastante bonita. Cabelos prateados como fios banhados pelo luar, pele branca como neve, traços delicados. Seus grandes olhos cor de pêssego, em particular, eram claros e místicos, como os de uma fada intocada.
— Isso é… um alívio… Muito obrigada, Governanta.
Hilde expressou gratidão, mas Greta balançou a cabeça.
— Seus agradecimentos devem ser direcionados a Sua Graça, não a mim. Ele até a carregou para o quarto quando você desmaiou.
— O Mestre… fez isso…?
Hilde repetiu, apertando o cobertor com as mãos. Ela parecia mais confusa do que feliz, e até um pouco assustada.
Talvez o choque de ver o pulso do servo sendo cortado ainda persista. Greta lembrou do silêncio aterrorizado de Hilde.
É compreensível, mas o medo excessivo só será prejudicial. Então, Greta falou cuidadosamente.
— Sua Graça também cuidou do seu ombro enquanto você estava inconsciente.
Continua …
Tradução: Elisa Erzet