Noites de Caos (novel) - Capítulo 89
Tradução: Gab
Revisão: Gab
Eun-Ha, que voltou ao seu quarto depois que Jihak a convidou para caçar junto com ele, ficou surpresa ao ver roupas novas separadas para ela. As vestes masculinas não eram tão pequenas, o que significava que aquelas peças haviam sido feitas sob medida para o corpo dela.
Depois de ser sequestrada, ela não teve permissão para sair. Eun-Ha sequer podia deixar o quarto após o anoitecer. Gari lhe dissera que até mesmo o senhir Song, o dono da livraria, tivera a entrada negada.
A única exceção era poder ir à montanha atrás da casa. Ao subir na montanha, seu primeiro pensamento foi o Jihak. Quando viu o medo no rosto dele, como se ela pudesse desaparecer, sentiu que seu desejo de partir era cruel. O Príncipe ocupava uma posição que ela não podia alcançar, ainda assim, ela se perguntava por que os olhos dele pareciam tão quentes. Seu coração estava tão apertado que talvez fosse mais confortável arriscar a própria vida como isca para um tigre. Ela subia a montanha todos os dias para se sentir mais estável.
Quando terminou de se preparar, Eun-Ha tentou sorrir ao ver seu reflexo no pequeno espelho. Jihak deveria vê-la sempre com aquela mesma expressão.
O caminho mais fácil para a liberdade é a confiança. Eu podia ser livre pois meu pai confiava em mim. Quero deixar esta situação mais tranquila.
A Sohyeon lhe pedira que persuadisse Yongi a não interpretar mal as suas intenções. Eun-Ha soube o que estava acontecendo do lado de fora e quanto mais tempo a sua irmã permanecesse próxima do Jovem Mestre Shihoon, mais profundo se tornaria o mal-entendido, mesmo que até então, ela havia ignorado a dinâmica entre os dois sexos.
Ela respirou fundo antes de sair do quarto.
“Por aqui.”— Um guerreiro a aguardava.
O local para onde ele a conduziu foi o arsenal, localizado atrás do edifício. Era um lugar ao qual ela normalmente não tinha acesso, pois ficava trancado.
Mas naquele dia, a porta se abriu.
Havia muitas armas no arsenal; parecia que estavam se preparando para uma guerra. Eun-Ha engoliu em seco ao ver o enorme arco de madeira pendurado atrás das costas de Jihak. Era o arco que havia abatido o tigre do tamanho de uma casa. Seu corpo ainda se enrijecia ao lembrar daquele dia.
“Você sabe manusear um rifle, certo?”— Jihak estendeu uma arma leve para ela. Eun-Ha ficou tão surpresa que não conseguiu pegá-la de imediato.
“O que o senhor pretende caçar?”
“Ainda não sei.”
“Eu nunca cacei por diversão. Só cacei animais que representavam perigo para a vila.”
Jihak riu da atitude hesitante dela.— “Acredita que o motivo é importante?”
“Como assim?”
“Hipocrisia. Caçar é encerrar a vida de outro indivíduo. O motivo não importa. Ou você morre, ou o outro morre. Isso é tudo.”
Eun-Ha pegou o rifle que ele lhe entregou. Uma arma feroz, capaz de tirar a vida de qualquer um. Ela se lembrou do alerta do chefe dos caçadores: um disparo inadvertido poderia matar uma vítima inesperada.
A leitora seguiu Jihak para fora. Os escoltas os acompanharam até a entrada da floresta e Yuljae permaneceu ao lado dele.
Na floresta, onde a luz do sol já não adentrava, ainda havia neve. Eles passaram pelo local onde o javali que Jihak havia abatido anteriormente jazia, a montanha estava marcada pelas pegadas dela, pois Eun-Ha a escalava todos os dias. Mesmo assim, ela teve a sensação de que alguém os observava, se a mulher era capaz de perceber aquela presença, eles também deveriam conseguir.
Ela olhou ao redor com uma expressão tensa.
Jihak riu ao vê-la nervosa.— “Como eu já esperava, que divertido.”