Noites de Caos (novel) - Capítulo 88
Tradução: Gab
Revisão: Gab
“A Sohyeon quer que Yongi se torne a sua acompanhante.”— Shihoon ficou surpreso.—“Acho que entende o que isso significa.”
“Meu senhor.”
“Shihoon. Às vezes, as garotas brincam com a mente dos rapazes. Você precisa tomar cuidado. A Sohyeon não é uma jovem comum, ela é bem astuta.”
“O senhor já autorizou?”
“Sim. E eu também não pretendia fazer de uma cortesã a minha concubina.”
O Ministro da Defesa sorriu; parecia que suas preocupações haviam desaparecido. Mas não era o caso de Shihoon. Ele ponderou sobre o que poderia acontecer se Yongi se tornasse a acompanhante de Sohyeon. Parecia que ela sabia do relacionamento dele com a Yongi, e fora exatamente por isso que planejara aquilo.
Shihoon ficou absorto em pensamentos. Quando ergueu a cabeça, viu o pai fitando-o.
“Depois da cerimônia, concentre-se novamente nos estudos. Você poderá partir para a capital em julho. Este casamento é importante. Não me decepcione, Shihoon.”
Shihoon assentiu às palavras de Jongshin, mas sua mente ficou em branco.
A ex concubina se tornaria a acompanhante de Sohyeon. Isso representava duas possibilidades: convencer Sohyeon a libertar Yongi ou garantir que ela permanecesse perto dele. Shihoon cerrou os punhos.
Ele realizaria o desejo da Eun-Ha de ver a irmã livre ou manteria a mulher chamada Yongi, que agora ocupava os seus pensamentos, ao seu lado?
Quando voltou ao pátio, não havia mais vestígios de sangue. Shihoon lembrou-se de Eun-Ha enquanto olhava para o céu.
***
“Você sabia subir as montanhas? Por que não mostrou esse talento antes?”
Eun-Ha sorriu enquanto lavava com água as mãos sujas de terra.
Todos os dias ela subia a montanha ao amanhecer. Jihak, que no início fora contra, agora lhe designara uma escolta. Ao subir a montanha, ela colhia coisas como legumes. Os servos eram as primeiras a recebê-la.
Até mesmo aqueles que antes a tratavam mal, em algum momento mudaram de atitude. Já não a insultavam; agora, inclusive, ofereciam bolinhos de arroz. Isso porque Eun-Ha havia fornecido um livro de ensinamentos. Para aqueles que queriam ensinar os filhos a ler, aquele livro facilitava o processo.
Além disso, o que ela recolhia na montanha aumentava o tempo de descanso de todos. Agora, a Eun-Ha não apenas servia ao Jihak, mas tornara-se alguém essencial para os serviçais.
“Hoje também virão visitantes?”
A serva assentiu às palavras de Eun-Ha.
“Isso parece irreal. Se consumirem álcool aqui todas as noites, eu vou morrer. Aqui é a casa de um nobre ou uma casa de cortesãs? Já nem consigo mais distinguir.”
Eun-Ha sorriu timidamente e virou-se. Depois de voltar ao quarto para trocar de roupa, foi à lavanderia lavar as vestes. Sentou-se perto de um riacho raso atrás da casa e estremeceu ao mergulhar as mãos na água.
De repente, ouviu um disparo. Eun-Ha ergueu a cabeça e sorriu ao ver um javali cair do outro lado do riacho.
“Você continua descuidada.”— Jihak, vestido com roupas de caça, entregou o rifle a Yuljae. Em seguida, tirou as luvas de couro.
“Como aprendeu a usar um rifle?”
“Eu era chamado de atirador de elite antes de minha visão piorar. Claro, poucas pessoas sabem que sei manusear armas.”
“É perigoso.”
Jihak sentou-se ao lado dela. Mergulhou as mãos na água fria e depois apertou as mãos de Eun-Ha. Ela sentiu os dedos gelados começarem a se aquecer.
“Por que acha que é perigoso?”
“É porque…”
“Por que eu fiquei cego?”
“Milorde.”
Ele olhou em silêncio para o rosto preocupado de Eun-Ha.— “Por que não vem caçar comigo? Preciso de um pouco de ar fresco.”