Noites de Caos (novel) - Capítulo 87
Tradução: Gab
Revisão: Gab
O serviçal que saíra para varrer o pátio gritou, em seguida, o Ministro da Defesa despertou. As pessoas, assustadas, correram até o servo, que havia desabado com espuma na boca, como se tivesse visto um fantasma.
Os guerreiros, encharcados de sangue, jaziam amontoados uns sobre os outros. Não apenas tiveram as línguas arrancadas, como também os olhos, estavam em um estado terrível.
“Meu Deus.”
“O que é isso?”
O Ministro da Defesa rangeu os dentes ao chegar ao local. Eram os guerreiros que haviam recebido a ordem de sequestrar a mulher chamada Eun-Há, os quais eram extremamente meticulosos em seu trabalho.
“Os olhos dele… parece que ele ainda consegue ver.”—Parecia algo feito de propósito.
Yoon Jongshin sentiu-se humilhado. Aquilo parecia um aviso. Mas ele não compreendia as intenções do Príncipe. Perguntava-se se Jihak fizera aquilo por causa do sequestro da mulher, ou se era porque haviam tentado feri-lo através dela.
“O que devemos fazer?”— Um guerreiro que perdera os companheiros aproximou-se de Yoon Jongshin. O Ministro da Defesa lançou um olhar frio e distante às pessoas que se agarravam desesperadamente à vida.
“Encontrem quem empilhou essez corpos no meu pátio. Podem queimar os corpos e dar cem moedas de ouro às famílias.”
“Mas… eles ainda estão vivos.”
“Não estou vendo nenhuma pessoa viva. Você vê?”
Ao ouvir seus gritos, os serviçais trouxeram esteiras para envolver os corpos. Estavam com medo de que ele os matasse caso não obedecessem. Então, um dos servos encontrou caracteres chineses gravados no peito de um dos guerreiros.
“Ministro, sou analfabeto, então não sei o que significam esses caracteres.”
[Eliminação]
Embora a ferida estivesse inchada, Jongshin reconheceu a palavra imediatamente.
Era um insulto claro. Um aviso para provar a arrogância dele. Apesar de todos os esforços, Jihak acreditava que o Ministro jamais conseguiria superá-lo.
O Ministro da Defesa arrancou a espada da mão de alguém ao lado e a cravou no peito do guerreiro que tinha as palavras gravadas, sentido até os ossos. O homem, que mal possuía vida em seus olhos, engasgou.
Todos que assistiam ficaram chocados.
“Jovem Mestre!”— Um atendente viu Shihoon parado à entrada. Todos correram para cobrir os corpos com esteiras, pois não queriam que ele presenciasse aquela cena desagradável.
O olhar de Shihoon passou do pátio, agora inundado de sangue, para o pai, que havia enfiado a lâmina no peito de um homem que mais parecia um cadáver.
“Chegou bem a tempo. Entre, por favor.”
Shihoon passou pelos corpos com uma expressão rígida.—“O que aconteceu?”
“Refere-se a isso?”— O Ministro da Defesa olhou para os corpos no chão.— “Essa é a natureza do Príncipe. Aquele homem foi responsável por acabar com a existência de sua irmã. Esse monstro que caiu em Harye deu chá envenenado à sua esposa.”
“E se os rumores se espalharem…?!”
“Eles morreram com honra. Lutaram contra assassinos contratados por um louco. Mas quem poderia culpá-lo?”
Shihoon compreendeu instintivamente. Aquelas vidas haviam sido perdidas sem propósito. Ele se preocupava, pois a integridade de Eun-Ha também dependia do Príncipe. Não gostava da ideia de ela estar ao lado de um louco que mais se parecia com um tirano.
“Sohyeon, aquela que será a sua esposa, veio visitar.”
Ao entrarem na casa, Shihoon sentou-se diante do Ministro da Defesa. Mesmo com todos confusos sobre o que ocorrera naquela manhã, o quarto do Ministro permanecia silencioso como uma câmara secreta. O Jovem Mestre lembrou-se, sem perceber, da residência de sua mãe, Simdeok. Havia ali tantos objetos caros que ele sequer conseguia estimar o valor.
O Ministro da Defesa misturou um pouco de ópio ao tabaco. Ele sofria de uma doença crônica desde as guerras em que lutara, e por isso começara a usar ópio.
Por fim, acendeu o cachimbo.