Noites de Caos (novel) - Capítulo 85
Tradução: Gab
Revisão: Gab
Ela passou a noite inteira acordada observando-o dormir. Os nobres que o haviam visitado voltaram para casa depois de uma noite desenfreada no pavilhão.
Queriam aprofundar as suas relações com Jihak, pois, caso ele ascendesse ao trono, poderiam exercer influência política. Os jovens intrigados não conseguiam compreender por que ele havia renunciado ao cargo de Príncipe Herdeiro. Mas o aniversariante não apareceu no banquete. Gari, que dissera que acompanharia os visitantes, estalou a língua. Era uma pequena regra que aprendera. Então, saiu do quarto.
Eun-Ha encarou o rosto de Jihak.
Agora que o seu pai estava morto, não havia como provar que ele não cometera alta traição. Seu pai era um homem puro, incapaz de recusar pedidos. Seu belo rosto sofrera um ferimento ainda jovem e ele também era um homem que não podia se rebelar, pois não possuía ambição.
Como ela poderia acreditar que a língua de seu pai quase causara a morte de Jihak? Como seu pai poderia aceitar tão facilmente um pecado que não cometera?
“Quando souber o que escondi, vai querer que eu me afaste.”— Eun-Ha pousou a mão com cuidado no rosto dele. Deslizou os dedos do nariz afilado até os lábios que expiravam em um ritmo constante.
“Quando vejo o Jihak, meu coração fica batendo assim e eu não sei se é medo, mas quando ele bate desse jeito, quero que o Milorde me abrace. Quero que ele me beije. Será que devo chamar esse sentimento de amor?”
Mas ela temia que seu coração acabasse ferindo alguém. Suas ações envolvendo o Jihak poderiam colocar a irmã em perigo ou, ao contrário, a situação da irmã poderia representar uma ameaça a ele.
Ela recolheu a mão ao ouvir alguém entrar. Kim, que vinha atrás do médico, olhou para ela com cautela. Eun-Ha assentiu.
“Ei.”— Kim enfiou a mão no bolso de Jihak, que estava deitado e entregou a Eun-Ha um anel de jade.
“Por que o senhor está me dando este anel?”— Confusa, ela perguntou.
“Quero que você entregue uma mensagem para mim.”
“Eu não sou uma mensageira. Muito menos posso sair sem as ordens de Jihak.”
“Eu permitirei. Também providenciarei uma escolta…”—Eun-Ha, sentindo medo, devolveu o anel a Kim.
“Preciso me preparar para ler um livro hoje. Desculpe.”— Então correu para o próprio quarto sem olhar para trás.
Seu pulso disparou. Parecia que Kim estava tentando traí-la.
O medo de Eun-Ha em relação à casa começou a se intensificar ainda mais. Havia olhares que a desprezavam. Até o ar do quarto parecia pesado enquanto ela se agachava no pequeno aposento que lhe fora designado.
Eu até mesmo me tornei a isca para o tigre.
Provavelmente, ela agira como um homem para esconder sua natureza fraca. Eun-Ha ergueu a cabeça. Então olhou para as roupas de seda cuidadosamente dobradas.
Não podia permanecer indefesa numa cova de tigres.
Pegou uma folha de papel. Primeiro bebeu um pouco de água para acalmar a mente e, então, começou a escrever com cuidado.
Não sou uma leitora, tampouco uma cortesã, nem mesmo sou filha de meu pai ou a irmã de Yongi. Sou apenas uma pessoa comum. E não quero que a mesma coisa aconteça comigo.
Ela tentou conter as emoções enquanto escrevia a carta de destinatário desconhecido.