Noites de Caos (novel) - Capítulo 84
Tradução: Gab
Revisão: Gab
Quando a porta do aposento se abriu, um homem usando um gat entrou. O homem alto vestia um hanbok preto. Seus traços eram afiados.
“Príncipe! O senhor está errado!”
Jihak colocou-se diante da pessoa cuja língua ainda não havia sido cortada e, em seguida, estendeu a mão para Yuljae. Ele entregou ao príncipe uma adaga. O guarda empunhara a espada a noite inteira. Não apenas cortara seus tendões, como também lhes arrancara os olhos.
“Encontrei isto na cintura desse sujeito. É a adaga que o senhor deu a Eun-Ha.”
Jihak puxou a adaga ensanguentada da bainha. Lentamente, olhou de um lado para o outro. O único homem que ainda podia falar tremia perante seus olhos afiados.
“Quem ordenou o sequestro?”— O guerreiro tentou morder a própria língua, mas Jihak foi mais rápido.
Ele cravou brutalmente a adaga no céu da boca do homem para impedi-lo de fazê-lo. O homem, revirando os olhos, cuspiu sangue. Em seguida, Jihak enfiou a adaga no tornozelo dele.
“Quem machucou a garota?”
“Ah… ah…”
O homem caiu para o lado. Já não conseguia falar. Jihak sacudiu o sangue que respingara em suas roupas. A mancha era indelével, mas o desejo de apagá-la persistia. Yuljae observou o rosto frio de Jihak. Ele limpou o sangue da adaga.
“Parece que o Ministro da Defesa conseguiu uma isca saborosa. Talvez também tenha contratado os assassinos que invadiram a minha casa?”
“Vamos verificar, mas parece que foram enviados por alguém da realeza.”
“Entendo. Possuo muitos inimigos…”— Jihak caminhou pisando no sangue espalhado pelo chão.
A Sohyeon lhe falara sobre aquele lugar. O mesmo lugar de onde Eun-Ha fora levada. Seu hanbok preto absorveu o sangue, adquirindo um brilho elegante.
Jihak olhou para a distante casa.
“Não os matem, enviem-nos ao Ministro da Defesa. Digam que ele pagará com o próprio sangue por ter usado o meu como isca. Jongshin vai entender.”— Yuljae retirou a máscara. Ele a jogou numa fogueira ao lado.
“Ela não tentou fugir.”— Jihak sorriu.— “Ela não mentiu.”
“Milorde, o senhor sente afeto por aquela garota? Ela está em seu coração?”— Yuljae perguntou em tom provocador.
“Afeto?”
“O senhor não me engana. Aquela garota mora em seu coração.”
“Cale a boca!”
“Dá para ver isso.”
Mas os olhos dele perderam o foco quando pararam num cesto onde havia tecidos molhados para tingimento. Um lampejo de decepção atravessou seu olhar.
O pano branco encobriu a sua visão.
***
A lamparina de óleo balançava para a frente e para trás. Ela estava sentada perto da janela, esperando que a porta da frente se abrisse, mas Jihak não voltou até tarde da noite. Era estranho que ele tivesse desaparecido no próprio aniversário. Não só os servos, mas também os estudiosos que haviam vindo estavam confusos.
No pavilhão oeste, onde o suntuoso banquete fora preparado, as portas se abriram escancaradas. Os homens se surpreenderam quando cortesãs entraram. Eram nobres que nunca haviam estado numa casa de cortesãs. Ainda assim, elas se sentaram com eles, agindo de modo provocante para aliviar o clima.
A atmosfera tornou-se cada vez mais lasciva.
Por fim, Jihak chegou à residência acompanhado de Yuljae. Todos os serviçais correram para ajudá-lo e Eun-Ha também.
Como era possível que ele tivesse voltado bêbado para o banquete?
Eun-Ha correu para a salão apenas de meias e cruzou o olhar com o dele. Ele a encarou em silêncio, como a noite escura. Depois de hesitar por um instante, ela correu para o pátio para ajudá-lo a se levantar.
“Como você pôde beber…?”— Embora Eun-Ha tenha tropeçado, conseguiu ajudá-lo a se sentar no salão.
No meio da confusão, ele segurou a mão de Eun-Ha. Então, inclinou-se para o lado com um sorriso.