Noites de Caos (novel) - Capítulo 81
Tradução: Gab
Revisão: Gab
Eun-Ha não conseguiu dizer nada quando viu a Sohyeon entrar no quarto de Jihak. Mesmo com os olhos vendados, a moça fora trazida sem roupas. Eun-Ha se surpreendeu com a calma dela naquela situação. Ela cobriu o corpo de Sohyeon com um cobertor. As duas ficaram sentadas em silêncio por um longo tempo.
“Eun-Ha, você está aqui neste quarto?”— Sohyeon foi a primeira a falar.
“Sim… Por que você veio?”
Sohyeon sorriu aliviada, mesmo com os olhos cobertos.—“Eu não queria encontrá-la nessas circunstâncias, mas fiz isso porque o Príncipe disse que eu não poderia vê-la se não fosse assim.”
“…Sinto muito.”
“Não importa. Estou apenas curiosa. Você voltou em segurança naquele dia? Presenciei algo estranho.”— Sohyeon baixou a voz.
Eun-Ha não conseguia compreendê-la. Ela se casaria com o Shihoon e se tornaria a nora de Simdeok. Não havia razão lógica para demonstrar bondade para com ela. A leitora, desconfiada das intenções de Sohyeon, olhou para seus olhos cobertos pelo pano.
“Você não gosta de mim?”
“Não somos próximas o suficiente para conversar.”
“Eu sei. Foi por isso que vim. Sinto-me mais confiante porque meus olhos estão cobertos. Eun-Ha, eu planejei fazer da sua irmã a minha serva.”
Eun-Ha mordeu o lábio inferior ao olhar para a mulher. Sohyeon possuía uma aparência deslumbrante, impossível de ser copiada. Uma superioridade inata, vinda de ter crescido em uma família perfeita. A leitora sentiu-se oprimida. Agora, achava difícil até olhar para o rosto de Sohyeon. Percebeu que algo dentro dela havia se quebrado.
“Minha irmã não deixou a casa das cortesãs para se tornar a serva de alguém.”
“Peço desculpas se você interpretou dessa forma. O que quero dizer é outra coisa.”
Eun-Ha olhou em volta ao perceber que Sohyeon ficara nervosa. Talvez houvesse pessoas do lado de fora ouvindo, então precisava se aproximar mais dela.
“Fale mais baixo.”— Eun-Ha, rastejando pelo chão, tocou a mão de Sohyeon. Isso significava que estavam muito próximas. Sohyeon inclinou a cabeça para a frente.
“Permitirei que a sua irmã escape no dia do meu casamento. Eu a segui para devolver o elástico de cabelo que você havia deixado cair. Vi como foi sequestrada. Não ousei denunciar. Isso se tornou um peso no meu coração. Depois de muita reflexão, escolhi vir vê-la.”
Mas Eun-Ha não sentiu remorso por Sohyeon não ter sido capaz de denunciar; ficou surpresa por Sohyeon ter sido a primeira a ficar sabendo que ela não havia fugido.
A mulher acariciou Eun-Ha. Ao notar seus ombros trêmulos, abraçou-a com ternura.— “Eu ajudarei a sua irmã. É claro que faço isso por sua causa. Não quero manchar a minha reputação. Pretendo deixar a capital para escapar da sombra de meu pai. Eu também quero fugir daqui. Preciso apressar o casamento com o Jovem Mestre e espero que você me ajude.”
Quando Sohyeon saiu pela porta, os escoltas a seguiram. Eun-Ha se agachou depois de observar a cena pela janela. Mordeu o próprio braço com tanta força que deixou a marca dos dentes. Por fim, olhou para a floresta. Embora o chão estivesse congelado pela neve, a floresta mantinha um tom verde vibrante. Sua visão foi, aos poucos, ficando mais clara.
Eles haviam levado a adaga que Jihak lhe dera.
Yoon Jongshin, Ministro da Defesa.
Ela não tinha dúvidas sobre a identidade da pessoa que fumava ópio.
Eun-Ha virou a cabeça quando a porta de seu quarto se abriu.