Noites de Caos (novel) - Capítulo 80
Tradução: Gab
Revisão: Gab
Quando a porta se fechou, o silêncio reinou no quarto.
Ela não se moveu depois que o Jihak saiu. Não queria se mover. Estava tão exausta que não conseguia mexer sequer um dedo. Eun-Ha fechou os olhos.
“Levante-se.”— Ela percebeu Kim parado à porta.
Questionou-se o porquê estava tão cansada.
Eun-Ha sorriu. Não conseguia dar um único passo. Mesmo sabendo que precisava fugir daquele lugar, queria afundar em um sono profundo.
***
“Eu sou Sohyeon.”— Jihak, que refrescava a garganta com água fria, olhou para a mulher que viera visitá-lo logo pela manhã.
“Trouxe uma carta.”—Sohyeon estendeu a carta a Jihak. Ele sorriu. Mergulhou a carta que Sohyeon lhe entregara na água fria que restara de sua bebida.
“Parece que desconhece que sou cego.”
Sohyeon, surpresa com a atitude de Jihak, fez uma reverência respeitosa.— “Eu realmente não sabia. Peço perdão.”
“Diga à minha irmã que a visitarei outro dia.”
“Sim, Vossa Excelência.”
A mente dele parecia prestes a explodir ao pensar em Eun-Ha, que aparentava estar completamente esgotada. Por isso, lançou a Sohyeon um olhar irritado.
“Acho que minha irmã mandou você aqui para causar problemas.”
“Não. Vim verificar se a garota chamada Eun-Ha está bem.”— O humor dele mudou quando a mulher mencionou o nome dela. Sohyeon ergueu lentamente a cabeça na direção de Jihak. Ele possuía uma presença intimidadora.
A voz de Sohyeon tremeu como nunca antes:— “Na verdade, vim entregar isto a ela.”
Sohyeon colocou um elástico de cabelo no chão. Jihak o reconheceu imediatamente como o que ela usara para prender o cabelo na manhã do dia em que desaparecera.
“Por que este elástico está em sua posse?”
Sohyeon ficou bastante surpresa. Heein lhe dissera que o irmão não nutria afeto algum, mas agora parecia que ela estava errada.— “Ela o deixou cair enquanto tomava chá. Eu a segui para devolvê-lo. Mas vi uma mulher se aproximar dela. Era uma mulher da casa das cortesãs.”
Jihak apanhou lentamente o elástico. Ele ponderou sobre as palavras “casa das cortesãs”. As mãos de Sohyeon tremeram sob o olhar penetrante dele.— “Não vim causar problemas. Permita-me encontrar a Eun-Ha.”
“Você é serva de minha irmã. Também se tornará nora de Simdeok, e ainda assim diz que não pretende causar problemas?”
“Meu pai recebera a ordem de vigiar todos os leitores do Reino. Há dez anos, o pai daquela garota foi espancado até a morte.”— Apesar de sentir como se estivesse diante de uma fera feroz, Sohyeon articulou suas palavras com clareza.
Ela não queria cancelar o noivado com o Jovem Mestre Shihoon. Por isso, precisava restaurar o próprio coração. Mesmo que fosse um casamento unilateral, desejava um arranjo impecável. Para isso, precisava de Eun-Ha.— “É por isso que quero encontrar Eun-Ha.”
Jihak, que observava Sohyeon com os olhos semicerrados, de repente caiu na gargalhada.
Sua risada vazia, que parecia ecoar na escuridão, fez a moça se preparar para ter a cabeça cortada. A aura do Príncipe beirava a intenção assassina. Era uma pressão difícil de suportar para o corpo de uma mulher.
“Eu deveria decapitá-la. E arrancar a língua de minha irmã. Não é permitido que saia falando absurdos sobre ela. Como ousa insistir perante mim?”
“Por favor, não fique zangado…”
“Permitirei que se encontre com a Eun-Ha, mas vendada.”
Sohyeon, atônita, abaixou a cabeça sem hesitar. — “Muito obrigada, Vossa Excelência.”