Noites de Caos (novel) - Capítulo 78
Tradução: Gab
Revisão: Gab
Por que doía tanto? Ela não sabia.
“É fácil envenenar a comida de um homem cego, mas você é a única que pode se aproximar.”
Quando a última de suas memórias veio à tona, ela sentiu um arrepio percorrer as suas veias. Um servo, comendo um rabanete, lançou abusos verbais.— “Você é igualzinha a uma vadia chorona, eu soube desde o momento em que balançou o rabinho para o Jihak! Além disso, devia ler livros, mas só fica falando besteira, tsk!”
“A irmã dela é a maior puta das cortesãs de Harye. E o pai dela foi morto porque assediava mulheres. Ela não consegue esconder a própria linhagem.”
“Enfim, não tente fugir de novo. Se fizer isso outra vez, eu arranco as suas pernas!”
Eun-Ha permaneceu em silêncio. Eles não estavam errados. Era verdade que a sua irmã era a melhor cortesã de Harye, e que seu pai fora morto por esse motivo. Tampouco acreditariam em sua explicação.
“Por que está dizendo tais coisas?”
“Quem respeita uma cortesã? Não reclame, apenas coma!”
Ela lutou para conter a Gari. Mas, por mais que tentasse, no fim a mulher arremessou a colher e exigiu que eles pedissem desculpas.
“O que vocês estão fazendo?!”— Kim entrou para impedi-los. Kim, que olhou para Eun-Ha sentada com um rosto cansado, estalou a língua. Eun-Ha consolou Gari.
Desde o início ela não tinha vontade de comer, então voltou para o quarto. Eun-Ha escorou-se na porta fechada.
Naquele momento, ouviu os passos de Jihak. Mas a porta do quarto não se abriu. Os passos se afastaram. Ela golpeou o peito com o punho. Inspirou profundamente. Queria esquecer tudo, mas quanto mais batia no peito, mais frustrada ficava.
Lágrimas caíram em sua mão. Irmã. Não, ela realmente queria ver Jihak.
***
“Assim como a serva disse, uma mulher se aproximou de Eun-Ha naquele dia.”
Nenhuma tristeza apareceu no rosto de Jihak. Ele estava apenas irritado por não conseguir dormir por vários dias enquanto Eun-Ha não despertava.— “Entendo.”
Yuljae olhou para Jihak com uma expressão séria diante da resposta. Embora seu rosto estivesse pálido por falta de sono, seus olhos estavam ainda mais afiados.— “Talvez alguém tenha abordado-a enquanto ela fugia. Alguém poderia tê-la ameaçado. Temo que, quando ela tentar me matar, eu não consiga estrangulá-la.”
Yuljae baixou a cabeça, impotente.— “Então mate-a primeiro. Ou, antes que aquela mulher o estrangule… eu a aniquilarei.”
“Sendo assim, talvez eu corte a sua cabeça.”
“Milorde!”— Jihak se levantou para abrir a janela.
Parecia que a primavera chegaria, mas os dias ficavam mais frios. Ele já sabia que isso aconteceria. Pessoas que queriam prejudicá-lo se aproximariam dela. Achou que não se importaria se aquela garota fosse feita de refém.
Porém, no dia em que Jihak a encontrou largada na encosta da montanha, o desejo de matar qualquer um que tivesse tocado o seu corpo o atormentou.
Sentiu-se frustrado por provavelmente ter mordido a isca.
“O que aconteceu com o que pedi que você fizesse da última vez?”— Seus olhos seguiram Eun-Ha, que corria em direção ao quintal dos fundos.
“Enviei uma carta dizendo que os visitaremos em dois dias.”
“Isso mesmo… faça os preparativos.”
Talvez ela estivesse recebendo uma carta escondida?
Ele empurrou Yuljae impulsivamente.
Jihak, ao seguir para o quintal, encontrou a Eun-Ha revirando os itens reunidos para serem incinerados. O que ela encontrou foi a anágua que usava naquele dia em que fora abandonada. Seus olhos ficaram afiados.
“O que você está procurando?”— A surpresa Eun-Ha virou-se na direção de Jihak.
Jihak agarrou com firmeza seu pulso esguio.— “Eu perguntei o que você está procurando…”
“…Perdi a adaga.”
“A adaga?”
“A adaga que o senhor me deu.”— As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Eun-Ha.
“Eu não sei o que busco em alguém como você…”