Noites de Caos (novel) - Capítulo 74
Tradução: Gab
Revisão: Gab
“Eun-Ha.”
Seus ombros estremeceram ao ouvir seu nome. Parecia finalmente ter percebido que não havia sido chamada ali apenas para tomar chá.
“Você.”
Seus pés ficaram dormentes — ela queria deixar aquele lugar imediatamente. A pessoa que havia menosprezado sua irmã já não lhe parecia nada amigável.
“Faz tempo desde a última vez que a vi.”—Heein sorriu calmamente.
“Você me conhece?”
“Claro. Você se agarrou à minha saia enquanto chorava pela vida do seu pai.”
Eun-Ha ergueu a cabeça. Não compreendia totalmente o sentido daquelas palavras.— “O que está dizendo?”
“Seu pai era um leitor. Ousou entrar nos aposentos das damas e ler histórias falsas para difamar a família real. As ações dele quase resultaram na morte do Rei. Imagino que você não soubesse disso. Se soubesse como seu pai morreu, jamais teria se tornado a leitora do meu irmão.”
O perfume do chá dispersou-se com o vento.
“O Príncipe Herdeiro foi o responsável pela morte de seu pai. Ele se juntou a um grupo rebelde que queria matar o meu irmão. Apenas deixe a casa do Jihak como se nada soubesse. Eu a trouxe aqui para lhe dizer isso.”
Eun-Ha levantou-se, olhando antes para a xícara de chá de Heein. Suas mãos tremiam, então, para parecer calma, agarrou-se à própria saia.— “Acho não pertenço a este lugar.”
“Não importa o que pense. Não pise onde não deve. Lembre-se de que as flores mais vivazes são as primeiras a serem colhidas.”
“Sim…”— Depois de uma reverência educada, ela deixou a sala de chá e calçou as suas sandálias de palha.
Conseguia ouvir risos enquanto saia para o lado de fora.
Precisava confirmar os fatos com a sua irmã. Naquele época, por ser a mais velha, deveria se lembrar com mais clareza da morte de seu pai.
Ela odiava a sua irmã, mas tinha pena de seu pai. Se Yongi soubesse, talvez se sentisse culpada por o pai ter sido um criminoso acusado de traição.
“Eun-Ha!”— Eun-Ha, que corria desesperadamente em direção à casa de Sihoon, foi agarrada. Apenas assim seus pensamentos cessaram.
“Chunhee…?”
“Para onde está indo?”
“Preciso ver a Yongi.”
“A Yongi não está lá! Shhh… Tem um cara estranho seguindo a gente. Vamos.”
Chunhee abraçou Eun-Ha com força, como se estivesse radiante por encontrá-la, envolvendo-a nos braços. Mas, ao ver a desconfiança no rosto de Eun-Ha, aproximou-se e sussurrou em seu ouvido: — “Foi a própria Yongi quem me disse que você iria à loja de tecidos. Ela quer fugir contigo. Siga-me. Eu a levarei até onde ela está.”
***
Depois que os comerciantes deixaram a mansão, os criados iluminaram o lugar. Os olhos de Jihak permaneciam sobre eles, ocupados em suas tarefas. O dia escurecera o bastante para tochas serem acendidas. Mas Eun-Ha ainda não havia retornado.
A última pessoa com quem ela estivera era sua irmã.
Será que ela realmente fugira?
Ele sorriu friamente. Uma ansiedade repentina o tomou. Yuljae, que acabara de voltar, ajoelhou-se diante dele.— “Dizem que ela desapareceu, Milorde. Todos estão procurando por ela.”
Jihak baixou a cabeça.
Um longo tecido de seda azul-real ondulava com a brisa que vinha do jardim dos fundos. A cada rajada, as escamas douradas do dragão bordado pareciam ganhar vida. O olhar do Príncipe voltou-se para Yuljae enquanto a luz da tocha faiscava no pátio.
Jihak soltou um suspiro profundo. Era apenas uma mulher com quem ele dormira algumas vezes.
“Procurem por ela em todo o reino… Ao menos encontrem o corpo dela.”