Noites de Caos (novel) - Capítulo 73
Tradução: Gab
Revisão: Gab
Era a primeira vez que ela ia a um lugar como aquele. Um local onde mulheres de famílias nobres podiam se reunir para tomar chá com o rosto sem o véu.
Um jardim elegantemente decorado, digno da realeza. O pátio era pavimentado com pedras lisas, para que as pessoas pudessem entrar na sala de chá sem pisar no chão. Mas apenas a Sohyeon, a Heein e a Eun-Ha podiam entrar no salão de chá. A Gari, impedida de entrar, virou-se fazendo um beiço.
Sentindo pena, Eun-Ha lhe deu dinheiro para comprar alguns doces. Ela mesma só estava ali porque a Heein havia solicitado.
A Sohyeon parecia desconfortável.
“Por que está tão desconfortável? Este chá é famoso por ser muito gostoso. Mesmo que você não conheça o sabor, vai gostar assim que provar.”
Eun-Ha, ainda mais nervosa com o tom amistoso de Heein, bebeu um pouco de chá. Comeu um dasik, depois bebericou o chá novamente. Seu gosto amargo, mas doce, desfez-se em sua língua.
Eun-Ha olhou para o chá com uma expressão curiosa. A Heein sorriu ao observá-la, a qual mantinha a cabeça baixa. Depois olhou para Sohyeon, que decidira apenas ser uma espectadora em silêncio.
Ela havia conhecido a Sohyeon em um encontro sobre poemas, pinturas e bordados. Os estudiosos apoiaram o evento, até comprando alguns itens. Heein acreditava que Sohyeon, a filha mais velha do Ministro da Justiça, casar-se com um filho ilegítimo não condizia com seu status — apesar da união com a família do Ministro da Defesa. Por isso queria mudar aquilo.
Um bastardo sequer podia ocupar um cargo no governo. A Heein frequentemente imaginava Jihak com Sohyeon.
Eun-Ha…
Heein prendeu a respiração ao olhar para Eun-Ha. Estava preocupada, mas não acreditava que seu irmão realmente a tivesse no coração.
Talvez fosse somente devido à solidão.
Quando seu irmão retornou com um cervo, seus olhos olhavam para ele da mesma forma que olhavam para a garota. Ele tinha aquele olhar havia dez anos.
“Sohyeon, preciso encontrar o Ministro da Justiça em breve. Ouvi dizer que havia uma cortesã na casa dos Yoon…”
“Isso é um mal-entendido. Aquela garota…”
Sohyeon interrompeu as próprias palavras e olhou para Eun-Ha, buscando sinais. Parecia não querer dizer algo que pudesse ferir os sentimentos da garota.— “A flor da casa de cortesãs? Há muitos rumores sobre ela.”
“Ela ficará apenas por pouco tempo, devido às circunstâncias.”
“Nossa inocente Sohyeon. Embora seu noivo seja filho do Ministro da Defesa, ele é ilegítimo. Eu a aprecio. Por isso quero encontrar um marido melhor para a senhorita.”
“Eu…”
“Eu jamais a colocaria em uma situação dessas.”
Ao ver o rosto de Sohyeon escurecer, Heein suspirou, entristecida. Eun-Ha apenas abaixou a cabeça, pois falavam de sua irmã.
Isso deixou Heein ainda mais irritada. Era evidente que seu irmão não sabia. Se tivesse se lembrado qual a origem daquela garota, não teria permanecido ao lado dela. Como poderia ele se relacionar com a filha do homem que ele próprio empurrara para a morte?
Mas Heein não queria que Jihak descobrisse. Precisava cortar o problema pela raiz antes que ele soubesse. A garota poderia arruinar o seu irmão, aquele destinado a se tornar o líder do Reino.