Noites de Caos (novel) - Capítulo 72
Tradução: Gab
Revisão: Gab
Jihak apenas observou a Eun-Ha enquanto ela deixava o quarto. Yuljae, que entrou logo depois, ajoelhou-se diante dele.
O guerreiro lançou um breve olhar na direção por onde a leitora havia ido. O lorde acendeu o cachimbo.
Yuljae se distraiu ao ver a adaga nas mãos de Eun-Ha. Era algo que Jihak havia mandado fazer pessoalmente quando ainda era Príncipe Herdeiro. Tinha decidido dá-la ao seu descendente.
Mas agora aquela adaga preciosa estava nas mãos dela.
O guerreiro sabia que o Príncipe não tinha desejo algum de ascender ao trono. Ele queria levar uma vida tranquila com alguém de linhagem nobre. A agitação atual era apenas temporária.
Por isso mesmo, acreditava que seu lorde deveria construir uma fortaleza ainda mais sólida. A menos que estivesse no topo, sua vida correria perigo todos os dias. Yuljae abriu a boca quando viu Jihak sorrir enquanto olhava pela janela.— “Milorde, deveria afastar-se dela.”
Um vento frio atravessou o aposento.
Quando ergueu a cabeça, percebeu que Jihak o observava, ainda com um sorriso no rosto.—“Temo que o senhor acabe levando aquela garota para o coração. Ela nunca será capaz de protegê-lo. O Milorde precisa de uma mulher com uma família poderosa por trás.”
Embora tivesse feito o pedido com sinceridade, a expressão de Jihak não mudou. Ele olhou silenciosamente para o rosto de Yuljae e, em seguida, voltou a olhar pela janela.— “Se chegar o dia em que essa mulher se tornar um problema para o senhor, eu mesmo torcerei o pescoço dela. Então, se quiser salvá-la, terá de abandoná-la.”
“Cale a boca.”
Yuljae não disse mais nada.
À medida que o solo começava a descongelar, rachaduras surgiam naturalmente. Yuljae sabia o quão perigoso era estar naquele lugar.
***
Eun-Ha não conseguiu esconder a alegria de experimentar a liberdade pela primeira vez em muito tempo. Claro, havia uma ordem estrita para que não falasse com ninguém, mas seu rosto se iluminava enquanto ela observava os itens estranhos no meio da multidão.
Ela, porém, sentia-se inquieta com o escolta que a seguia a uma distância segura.
Aquilo era um teste? Ou era liberdade verdadeira?
Sua vontade era correr até a residência do Mestre Shihoon, não para a loja de tecidos, para ter certeza de que sua irmã estava bem.
Não tivera notícias dela desde aquele dia.
Porém, não podia fazer isso. Certamente havia um motivo para que a sua irmã tivesse pedido que a procurasse em um dia específico.
“Chegamos.”
Caminhando pela rua, perdida em pensamentos, Eun-Ha quase passou direto pela loja de tecidos. Entrou com um sorriso tímido. Talvez porque o número de vendedores houvesse aumentado, havia sedas ainda mais finas do que da última vez. O lugar estava lotado de clientes.
Eun-Ha procurou a proprietária.
“Eun-Ha, você veio! Espere, espere.”
A dona, que estava fazendo um longo discurso sobre seda para uma cliente, acenou alegremente na direção dela.
Eun-Ha sorriu ao perceber que a Gari estava encantada com os tecidos. Naquele lugar, havia muitas mulheres tão lindas quanto a própria seda. No rosto de todas havia um brilho animado.
Enquanto Eun-Ha aguardava as roupas, alguém se aproximou. Era uma mulher calçando belíssimos sapatos de jade branco. E atrás dela vinha outro rosto já conhecido.
Sohyeon, que parecia envergonhada mas estranhamente feliz, cruzou o olhar com o de Eun-Ha. Mas quem falou foi a mulher um pouco mais velha que a própria leitora.
“Você é Eun-Ha.”
“Mas quem é a senhora?”
A dona da loja, que havia trazido as roupas embrulhadas, tinha uma expressão confusa. Eun-Ha achava difícil conversar com nobres de alta linhagem, então queria sair dali o mais rápido possível.
“Por que você veio aqui?”
A Gari surgiu correndo de algum lugar e fez uma reverência à mulher desconbecida. Eun-Ha suspirou ao perceber que era a irmã de Jihak, cujo rosto não conseguira ver da última vez por estar coberto por um véu.
“Eu vou tomar chá com a Sohyeon… Gostaria que você tomasse uma xícara de chá conosco.”