Noites de Caos - Capítulo 18
A assistente de Sohyeon sussurrou em seu ouvido sobre Eunha.
“Ah… Você é a pequena empregada da casa das cortesãs.”
Só então Eunha voltou a si e abaixou a cabeça respeitosamente. – “Meu nome é Eunha, senhorita.”
“Ok, Eunha… A propósito, quanto tempo ficou na casa do Jovem Mestre Shihoon? Eu não a vi entrar.”
“Cheguei há cerca de uma hora, mas ele estava ocupado com outras coisas… mal prestou atenção em mim, então estou indo embora agora.”
‘Como posso contar tantas mentiras?’ – Eunha mordeu o lábio, pensando que se continuasse assim acabaria no inferno.
Então, Sohyeon, que estava olhando para as mãos azuis congeladas de Eunha, estendeu algo embrulhado em um lindo lenço. Eunha, com os olhos arregalados, hesitou se deveria aceitar.
Isso fez com que a assistente atrás de Sohyeon gritasse ferozmente: – “O que está fazendo?! Pegue o que a jovem senhorita está lhe dando agora mesmo! Insolente!”
“Sim! Sim!” – Eunha rapidamente estendeu a mão e pegou o que Sohyeon ofereceu. As pontas dos dedos dela, tão suaves quanto porcelana, roçaram as costas ásperas da mão dela. O que Sohyeon lhe deu foi uma pedra quente enrolada em um lenço.
“Sempre que suas mãos ficarem frias, toque-a para aquecê-las. Não deveria ter mãos tão ásperas com um rosto tão bonito. Ela retém calor muito bem. Quando esfriar, coloque-a no fogo por um tempo para que possa usá-la novamente.”
“Oh, obrigada. Muito obrigada.” – Eunha não conseguia suportar olhar para o rosto de Sohyeon, cujo coração parecia tão bonito quanto sua aparência. Ela se sentiu mal por querer juntar Shihoon com Yongi.
No entanto, Sohyeon não era tão bondosa assim.
“De nada. Até mais tarde, cuide-se.”
“A senhorita também, até mais.” – Eunha se curvou e correu, segurando a pedra que Sohyeon lhe dera como um tesouro. Enquanto corria para a livraria, ela passou por muitos rostos familiares, mas não parou. A pedra em seus braços era bem quente. Ela se sentiu um pouco triste, a ponto de seu peito doer, porque não tinha sido honesta com a jovem.
***
“Por favor, me diga agora mesmo. O senhor o conhece, certo? O Milorde. Qual é o status dele?”
O dono da livraria, Sr. Song, não achou graça quando Eunha de repente entrou e fez tantas perguntas. Ele não conseguiu evitar levantar a voz. – “Ele é seu senhor, por que está perguntando para mim?! Já disse que não o conheço!”
“Está mentindo. Senhor, sua barba se contrai sempre que mente, sabia disso?”
“Caramba, de onde tira tanta bobagem?”
“Senhor, acha que não percebo as coisas? Não vou sair por aí falando sobre isso, então, por favor, me diga. Quem é ele?”
O dono da livraria, que teve que expulsar todos os clientes, suspirou profundamente e olhou para a porta bloqueada por Eunha, que tinha uma aura feroz. – “Você… Tranque a porta e sente-se aqui.”
Só então Eunha se acalmou. Assim que ela se aproximou, o dono da livraria perguntou: – “Aconteceu alguma coisa enquanto estava lá?”
“É normal que algo aconteça todos os dias. Por favor, me diga imediatamente. Ele é um homem de alto status?”
“É isso mesmo, ele é um homem de alto status…”
Eunha engoliu em seco e suas orelhas se levantaram enquanto o dono da livraria hesitava. Um momento depois, o Sr. Song fingiu se abanar gentilmente naquele tempo frio, desviou o olhar e deixou escapar suas palavras tão rápido que era quase inaudível.
“Ele é o príncipe herdeiro destronado.”
“O quê?”
“O príncipe herdeiro destronado.”
“O que disse…?”
“Ah, sua pequeno tola! Seo Jihak, o príncipe herdeiro destronado, não sabe quem ele é?”
‘Estou ouvindo errado? Ou estou sonhando?’ – O Milorde não era apenas um homem de alto status que estava em uma cidade rural fora da capital… mas o príncipe herdeiro deposto. Eunha conteve sua surpresa e cobriu a boca com as duas mãos. Então, com uma expressão atordoada no rosto, silenciosamente se levantou e andou até um canto da livraria.
O Sr. Song, que correu para segui-la, falou com ela como se quisesse tranquilizá-la: – “Não se preocupe, Eunha. Ele disse que só estava procurando alguém para ler livros para ele. Mais de 15 dias já se passaram, quantos mais podem faltar? Acho que um mês será o suficiente.”
“Cerca de um mês? Senhor… Em quinze dias ainda não li um único livro! E tenho que ler trinta livros, trinta livros!”
“Uau, isso não é muito lento? Eu não esperava que fossem tantos livros e tão difíceis. Ainda assim, o pagamento é bem generoso, não é?”
‘Isso é verdade, mas…’ – Eunha agachou-se no canto da livraria e refletiu sobre suas ações diante do Milorde. Um por um, eventos embaraçosos e chocantes passaram pela sua mente, incluindo a vez em que ela acidentalmente entrou na casa de banho dele e deu uma olhada em seu corpo nu.
“Ahh, o que eu faço, senhor? Acha que eu posso salvar minha vida? Hein?” – Finalmente, os olhos de Eunha se encheram de lágrimas.
Surpreso, o Sr. Song olhou ao redor, perplexo. De repente, ele pegou um livro e colocou na mão dela. – “Pegue isso. Os homens realmente gostam de coisas sujas. Não conheci um homem que não gostasse disso! Então até o Milorde…”
“Sim?”
“Cof, quero dizer… Só pegue! Vai saber quando ler! Você vai ver!”
Assim que Eunha segurou o livro, o dono da livraria puxou sua mão.
“Tenho que trabalhar duro para ganhar a vida, alimentar meus filhos e salvar você também. Eunha, não aconteceu muita coisa até agora, mas tenho medo do que pode acontecer depois. Vamos, acredite em mim. Sim? Agora tenho que cuidar dos meus negócios, então não posso mais falar com você.”
Eunha foi praticamente empurrada para fora da livraria. Jogada para fora da porta, ela olhou entre o livro em seus braços e o dono da livraria antes que ele batesse a porta em seu rosto.
Ela bateu o pé e gritou: – “Senhor!”